Chefe indígena, defensor da Amazónia, sugerido para Nobel da Paz 2020

Desde os anos 1980, Raoni Metuktire é um defensor da luta pela preservação da floresta e dos povos indígenas da Amazónia.

Chefe Raoni Metuktire , líder de comunidade indígena na Amazónia
O Chefe Raoni Metuktire (foto de Fernando Frazão/Agência Brasil via Wikimedia Commons)

Um grupo de antropólogos e de ambientalistas decidiu nomear Raoni Metuktire, indígena brasileiro, chefe da tribo Caiapó e conhecido internacionalmente pela sua luta pela preservação da Amazónia e dos povos que nela habitam, como candidato ao Prémio Nobel da Paz de 2020.

O Comité Nobel Norueguês, que decide quem recebe o prémio anual, já aceitou a nomeação mas a Darcy Ribeiro Foundation, o grupo que sugeriu o nome do Chefe Raoni, ainda vai ter de completar o processo de nomeação, avança a Reuters. A Darcy Ribeiro Foundation, fundação dedicada a Darcy Ribeiro, um dos primeiros antropologistas brasileiros, escreveu também ao Presidente francês, Emmanuel Macron, a pedir o seu apoio à nomeação – Raoni reuniu-se duas vezes este ano com Macron, que foi um dos políticos mais críticos ao Brasil aquando dos incêndios que assolaram a Amazónia este Verão.

Raoni Metuktire é um líder indígena na Amazónia mas a sua voz é escutada internacionalmente. Nos anos 1980, ficou conhecido pela participação numa campanha ao lado do músico Sting, que percorreu 17 países. Desde então, Raoni popularizou-se como um defensor da luta pela preservação da floresta e dos povos indígenas da Amazónia, criticando a visão de Bolsonaro de explorar cega e economicamente a maior floresta tropical do mundo.

Recorde-se que este Agosto terminou com a Amazónia a arder, num dos piores incêndios da última década. Dados oficiais indicam um aumento de 76% no número de incêndios neste 2019 em relação ao ano passado: 87 mil incêndios florestais nos primeiros oito meses do ano, o número mais alto desde 2010. Todavia, 2019 não foi o pior ano na história recente do Brasil: nos primeiros meses de 2005, foram registados 142 mil incêndios. Os incêndios deste ano estarão relacionados com queimadas de agricultores à procura de expandir as suas áreas de cultivo na Amazónia; o Governo brasileiro negou a relação e culpou o tempo seco.