The 1975 lançam álbum com Greta Thunberg e uma campanha muito à frente

A campanha de lançamento do disco começou em meados de Julho. Greta Thunberg deu voz uma das canções, lendo um ensaio sobre o clima.

Ainda esta semana, a propósito da re-edição do disco de Björk numa experiência de realidade virtual, testemunhávamos a forma como os formatos de audiovisual clássicos podem ser re-inventados com recurso a novas tecnologias. “People”, o mais recente single dos The 1975, é mais uma prova disso mas para a qual não precisas de óculos de realidade aumentada. E conta ainda com a presença de Greta Thunberg entre os convidados.

Concebido pelo director criativo Ben Ditto, o vídeo de “People” é mais do que uma ilustração visual da música: é uma autêntica obra de arte que cruza técnicas e culturas muito diferentes mas relevantes na contemporaneidade e se estende por uma multiplicidade de plataformas, do clássico suporte vídeo até filtros faciais que qualquer um pode utilizar no Instagram.

A ideia central de Ditto era testar os limites da cultura pop na passagem de mensagens mais importantes como aquelas que se relacionam com o tecnologia, ambiente e privacidade; o resultado toca em cada um desses pontos com uma estética altamente futurista, fruto da colaboração de homens e máquinas.

A campanha de lançamento do disco Notes On A Conditional Form, do qual faz parte “People”, começou em meados de Julho e, desde logo, se percebeu a toada de consciencialização que permitia assumir. Greta Thunberg deu voz uma das canções, lendo um ensaio sobre o clima musicado com uma música da banda.

Ao longo dos lançamentos e até à aguardada “People”, o grupo foi disponibilizando no seu website oficial imagens que vinham antecipando o que seria o vídeo · e que podem ser vistas num vídeo acima, feito por um seguidor da banda. Este trabalho coornado por Ben Ditto foi desenvolvido em colaboração com o artista digital Jon Emmony, responsável pela criação das paisagens, e com o programador Jack Wild, que fez o efeito que ainda agora se pode experimentar no website dos The 1975.

As texturas hi-tech, com pontas soltas, cores fortes e imagens genéricas resultaram do processo de criação utilizado por Emmony, que treinou uma rede neural com imagens pacíficas de stock e outras de paisagens de destruição e desflorestação.

O vídeo, lançado no final de Agosto, foi uma espécie de clímax desta campanha e condensa toda a narrativa em pouco menos de três minutos, tendo assinatura de Ditto, Warren FU e do líder da banda, Matty Healy. Ao longo do tempo e ao som dos The 1975, vemos a banda circunscrita a quatro paredes que vão apresentando paisagens (reais e digitais) subvertidas, desfragmentadas ou distorcidas – uma metáfora visual que se pode estabelecer com uma experiência social cada vez mais mediada por ecrãs. Não faltam blue screens, likes, nem loves, nem um estilo de filmagem livre característico do ambiente live que cada vez mais se vive.

Para além destes suportes mais convencionais, a campanha também teve direito a filtros de Instagram para Stories disponibilizados na página da banda. People Face Tracking e Wake Up, desenvolvidos por Aaron Jablonski, recorrem à tecnologia de ponta para, claramente, nos avisar sobre ela. Num podemos ver a leitura da nossa cara como se fosse feita por máquinas, no outro vemos o recorte da nossa cara orbitando num universo semelhante ao do vídeo como se procurasse representar graficamente a nossa alienação.