30 organizações pedem fim de parceria entre Amazon e polícia

No total, estima-se que já sejam mais de 500 as parcerias entre a Amazon e esquadras de polícia locais, e este crescimento do fenómeno (confinado, contudo, aos Estados Unidos) está a alertar activistas dos direitos civis.

Amazon Ring (foto via Amazon)

Primeiro a Amazon criou o Ring, uma pequena câmara que cada cidadão podia colocar a porta de sua casa para, entre outras coisas, poder vigiar as encomendas que por tradição os estafetas deixam à entrada. E até aqui tudo parecia mais ou menos normal – no fundo, útil ou não, era mais um produto tecnológico feito por uma das grandes empresas na luta por invadir as nossas casas com gadgets que a elas nos mantenham ligados.

Tudo se tornou estranho e perverso quando todos estes aparelhos começaram a criar uma rede e uma investigação jornalística revelou que a Amazon estaria a fornecer o mapa dessa rede às forças de polícia locais. Pior do que isso, estaria a fornecer acesso a imagens dessa rede e ao portal Neighbors onde os vizinhos podem partilhar imagens captadas pela sua camâra de modo a sinalizar perigos.

A plataforma Neighbors (screenshot via Shifter)

Ao que tudo indica, foi como uma estratégia de promoção do pequeno aparelho que a Amazon encetara a estratégia de se tornar ‘amiga’ da polícia local. Assim, para além de lhes permitir acesso à rede de videovigilância criada pelas câmaras de cada utilizador, a empresa ofereceria também descontos e exemplares do produto que os polícias podiam até distribuir pela comunidade.

No total, estima-se que já sejam mais de 500 as parcerias entre a Amazon e esquadras de polícia locais, e este crescimento do fenómeno (confinado, contudo, aos Estados Unidos) está a alertar activistas dos direitos civis. Mais de 30 organizações escreveram uma carta aberta, em que pedem aos “eleitos” para acabar com as parceiras de vigilâncias criadas entre polícia e multi-nacional. Em causa está a privacidade dos utilizadores, claro, e, por outro lado, a intrusão de um produto tecnológico não sujeito a qualquer tipo de regulação legal no âmbito legal – através destas parcerias, a polícia podia aceder às imagens sem necessitar de um mandato.

As organizações em causa temem ainda que as imagens recolhidas possam servir para fazer buscas de reconhecimento facial ou outro tipo de diligências. E, para além disso, que, em fruto de políticas de privacidade permissivas ou de fraca segurança dos sistemas internos da Amazon ou dos próprios aparelhos, as imagens dos utilizadores possam ser utilizadas com fins que não os previstos.

De resto, a possibilidade de integrar reconhecimento facial na pequena câmara tem sido muito badalada; neste particular, os activistas denunciam a falta de transparência da empresa que não revela com exactidão os seus planos.