O que eu gostava de ter sabido há mais tempo sobre o copo menstrual

Embora com os seus percalços, habituar-me foi muito mais fácil do que pensava. E a verdade é que não há razão para medos: este é um produto de higiene menstrual feito a partir de silicone cirúrgico e 100% seguro. 

Ilustração de Rita Pinto/Shifter

O copo menstrual parece-me hoje a coisa mais natural do mundo. Mas nem sempre foi assim para mim, e recordo-me disso sempre que amigos torcem o nariz ao tema.

Sim, enfiar pela vagina acima algo que parece uma chávena de café de borracha é a última coisa que me apetece fazer quando menstruo.

Mas ainda bem que, há cerca de dois anos, decidi superar os meus medos e dei uma oportunidade ao copo. Embora com os seus percalços, habituar-me foi muito mais fácil do que pensava. E a verdade é que não há razão para medos: este é um produto de higiene menstrual feito a partir de silicone cirúrgico e 100% seguro. 

Usar o copo menstrual não é doloroso

A vulva tem muito mais terminações nervosas do que o canal vaginal, pelo que basta passar o copo por água para facilitar a inserção. As primeiras vezes podem ser mais desconfortáveis, mas nada que a prática não resolva. Uma vez introduzido (e não precisa de ser colocado muito profundamente), não o sentimos. Se a água não for suficiente para ajudar à colocação do copo, lubrificante certamente fará milagres.

Se for inserido correctamente, o copo não verte, tal e qual um tampão. Geralmente aguenta até 12 horas, dependendo da quantidade de fluxo e do copo. 

Investir no copo menstrual é (muito) económico

Existem diversos tipos de copos menstruais no mercado, a preços diferentes. O que eu comprei não chegou a 30€ e nunca mais tive de me preocupar com gastar dinheiro em tampões ou pensos. Quem não tem a certeza de qual será o formato ou tamanho de copo ideal, o quiz da Put a Cup In It é uma valente ajuda. Fervo-o sempre no mesmo recipiente antes de cada ciclo menstrual e é prático transportá-lo, levo-o comigo em viagem, se necessário.

Depois deste pequeno investimento, só terei de me voltar a preocupar dali a dez anos. 

Faço muito menos lixo

Sem dúvida que reduzir a minha pegada ecológica foi dos factores que mais pesaram na minha decisão.

Fazer as contas aos pensos e tampões que deitava para o lixo mensalmente, bem como as embalagens, invólucros e, por vezes, aplicadores, foi um exercício que me abriu os olhos. Multiplicar isso pelo número de pessoas que menstruam pelo mundo inteiro e usam produtos descartáveis foi o suficiente para perceber que não quero ser mais uma e para começar a ponderar seriamente alternativas. 

Quando usamos o copo, não há nada para deitar para o lixo. Há apenas sangue menstrual, que vertemos para a sanita (ou para onde nos apetecer). E pronto. 

Estou mais atenta à minha saúde menstrual

O hábito de verificar a consistência, a cor e o odor do período pode ajudar a detectar mais rapidamente algum problema.

Um dos sintomas de endometriose, por exemplo, é a presença de grandes coágulos sanguíneos no período. É uma informação relevante a passar-se ao ginecologista.

Verificar se o sangue tem mais coágulos ou se a cor se altera não é tão fácil com pensos e tampões. Para além disso, a ideia de que o período cheira a peixe podre deve-se ao contacto do sangue com os químicos desses produtos. Com o copo menstrual, o sangue tem um odor muito mais neutro (e muito menos desagradável).

Esta experiência de observar o sangue tornou-se natural para mim – eu, que costumava ter pânico de sangue e, quanto menos tivesse de lidar com ele, melhor. 

O copo menstrual não é para toda a gente, mas…

Sou grande apologista do uso do copo e fico feliz por saber que amigas começaram a usá-lo depois de lhes falar da minha experiência, mas também é verdade que há quem não consiga acostumar-se, especialmente quem sofre de dor durante qualquer tipo de penetração.

Quando é esse o caso, e se a vontade em embarcar na jornada eco-friendly é muita, há sempre alternativas, como os pensinhos higiénicos de pano.

De resto, é sempre uma decisão muito pessoal. Eu não optei pelo copo antes porque não tinha conhecimento suficiente sobre ele. E agora, olhando para trás, gostava que me tivessem dado toda esta informação mais cedo. O que vale é que, como se costuma dizer, mais vale tarde do que nunca.