Facebook vai lançar uma secção de notícias. Boa ou má ideia?

O Facebook News vai ser lançado primeiro nos EUA.

O Facebook vai investir novamente em jornalismo. Facebook News é um novo separador na app do Facebook, onde os utilizadores da rede social (por agora, apenas os norte-americanos) vão encontrar conteúdo de órgãos de comunicação social devidamente acreditados e verificados pelo Facebook. A tecnológica vai pagar a alguns deles – como o Wall Street Journal, o BuzzFeed News e outras publicações grandes – para lá estarem.

O Facebook News, primeiro nos EUA

O Facebook diz que quer desenvolver o Facebook News em conjunto com as empresas de media, numa partilha de ideias e de inputs. O produto vai ter: 1) as principais notícias do dia, escolhidas por uma equipa de jornalistas; 2) uma secção personalizada para cada utilizador, com base nos órgãos de comunicação social que lêem, partilham e seguem na rede social; 3) conteúdo organizado por tópicos, como negócios, entretenimento e saúde; 4) uma secção de subscrições, onde os utilizadores podem aceder a artigos dos media que subscrevem e que têm associados à sua conta de Facebook.

A empresa de Mark Zuckerberg quer que o Facebook News seja um espaço onde os utilizadores têm controlo sobre o que vêem, podendo esconder o que não lhes interessa, e onde as empresas de media não ficam à mercê de algoritmos, que nem sempre acabam por destacar o bom conteúdo jornalístico produzido. Enquanto o Facebook trabalha para aperfeiçoar a inteligência artificial por detrás do News, uma equipa editorial, interna e independente, vai fazer alguma curadoria de algum conteúdo no espaço “Today’s Stories”. O Facebook diz querer não só as grandes publicações no News, mas também órgãos mais pequenos e independentes. De qualquer das formas, para terem o seu conteúdo na secção, os media terão de cumprir alguns critérios, numa tentativa de manter o Facebook News sem desinformação nem clickbait.

O Facebook News parece um produto bem desenhado e que poderá ter sucesso, à medida que for desenvolvido nos EUA e eventualmente alargado a outros mercados. Ao contrário do News Feed, onde basta seguir uma página para os seus posts aparecerem nos feeds dos seguidores, o Facebook News será restricto a órgãos de comunicação social legítimos e devidamente acreditados pela tecnológica – ou seja, existirá aparentemente um maior controlo do Facebook do que aparece no News em relação ao News Feed. Resta perceber como poderá funcionar em mercados periféricos e com menos interesse económico para a gigante rede social.

O historial do Facebook

Pela página de apresentação e pelo comunicado de imprensa, o Facebook parece empenhado em fazer as coisas bem, e o Facebook News é mais uma plataforma de uma grande tecnológica para agregação de conteúdo noticioso e jornalístico – a Google tem o Google News, a Apple o Apple News e a Microsoft também desenvolveu um Microsoft News. Mas, a pergunta que se coloca é esta: podem os órgãos de comunicação social confiar no Facebook, tendo em conta o seu historial?

Ao longo dos anos, o Facebook já investiu e desinvestiu em jornalismo, como nota o repórter Josh Constine no TechCrunch. Em tempos, disse aos media para fazerem vídeos em directo, tendo pago a alguns deles, até ter decidido cortar o alcance desse formato de conteúdo do News Feed. Lançou os Instant Articles com uma série de publicações a bordo, entusiasmadas com a ideia de o seu conteúdo carregar mais rapidamente na app do Facebook, mas rapidamente o formato perdeu os apoiantes por ser limitado. E ainda no ano passado, numa tentativa de se afastar de eventuais novos escândalos de desinformação e fake news, o Facebook anunciou que o News Feed passaria a ter mais posts de amigos e familiares, e menos notícias – alguns órgãos de comunicação social sentiram o seu tráfego baixar em consequência desta decisão.

Josh do TechCrunch dá ainda nota de que o jornalismo não paga as contas destas plataformas e avança o exemplo do Twitter, uma plataforma muito mais direccionada para informação e partilha de notícias em tempo real, e que é 1/23 do valor de mercado do Facebook. Num extenso artigo de análise, Josh aconselha as empresas de media a não voltarem a cair nas teias do Facebook e, mesmo estando presentes no Facebook News, a não alterarem a sua estratégia de conteúdo e recursos humanos – devem, sim, apostar nos seus canais próprios e em construir uma audiência que não dependa de terceiros.