Grupo de trabalhadores sub-contratados pela Google vai sindicalizar-se

Empresas como a Google recorrem a outras empresas especialistas em recrutamento e trabalho temporário. No meio desta (r)evolução no mercado laboral escasseiam os mecanismos de protecção e defesa dos trabalhadores.

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Foto de Rajeshwar Bachu via Unsplash

Com o advento da ‘nova economia’ em torno de empresas tecnológicas surgem também novos trabalhadores com diversos vínculos laborais; um dos bastante comuns prende-se com a sub-contratação por parte das grandes empresas. Empresas como a Google recorrem a outras empresas especialistas em recrutamento e trabalho temporário; através do chamado outsourcing, somam ao seu quadro de recursos humanos um conjunto de trabalhadores que, na prática, são de outra empresa, fornecedora dessa força humana.

No meio desta (r)evolução no mercado laboral escasseiam os mecanismos de protecção e defesa dos trabalhadores, que se vêm à mercê de práticas sub-contratuais, por vezes, duvidosas e sem qualquer tipo de salvaguarda. Contudo, esse cenário pode estar a mudar, começando pelos Estados Unidos, precisamente de onde começou a expansão destes modelos empresariais.

Oitenta trabalhadores sub-contratados pela empresa HCL America para prestar serviços para Google juntaram-se à União de Trabalhadores da Siderurgia (USW), passando assim a ser representados sindicalmente. O caso é especialmente simbólico uma vez que os trabalhadores terão sido desaconselhados pela empresa que os contratara a levar avante a sua intenção; numa dúzia de e-mails citados pela Motherboard, Jeremy Carlson, vice-director geral da HCL America, terá dito aos seus contratados para não se juntarem aos siderúrgicos por serem de ramos diferentes.

Assim, no seio da USW, e inspirada pelo momento de sindicalização dos trablhadores da HCL, acabou por nascer a Pittsburgh Association of Tech Professionals, um ramo da entidade sindical que procura dar resposta a uma lacuna existente no tecido social. Segundo reporta a imprensa internacional, Damon Di Cicco, responsável pela USW, reiterou que a formação desta nova unidade foi possível graças ao apoio do DPE, o Department of Professional Employees, grupo pertencente à Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais, o maior grupo sindical dos EUA, albergando cerca de quatro milhões de pessoas.

O surgimento de um sindicato com o objectivo de proteger os trabalhadores das tecnológicas é um momento que pode marcar a indústria especialmente se considerarmos os dados. Segundo um relatório do New York Times, os trabalhadores em outsourcing para a Google são mais do que os efectivamente contratados pela empresa e, segundo se lê na imprensa internacional, temem ser descrminados salarialmente por esta condição.

Este movimento de reinvindicação de direitos laborais por parte dos ‘novos precários’ não é propriamente uma novidade, podendo mesmo caracterizar-se como uma tendência emergente no mundo da tecnologia. Por outro lado a resposta das empresas não tem sido sempre a mais simpática. Já na semana passada, notícias davam conta de uma queixa apresentada por trabalhadores da Kickstarter à National Labor Review Board (NLRB), depois de dois membros da campanha de sindicalização dos trabalhadores daquela plataforma terem sido despedidos. A empresa alega que os despediu por incompetência mas os seus antigos colegas acreditam que o despedimento teve por base a sua ligação ao movimento sindical.