Google anuncia ter atingido a ‘supremacia quântica’

A computação quântica é o último reduto da tecnologia de processamento e um campo aberto de disputa entre as principais empresas tecnológicas.

O processador Sycamore (foto via Google/DR)

A computação quântica é, por assim dizer, o último reduto da tecnologia de processamento e, portanto, um campo aberto de disputa entre as principais empresas tecnológicas. Na CES deste ano, a IBM anunciou o Q System One, apelidado de primeiro sistema quântico integrado, com uma capacidade de processamento muito acima da média dos computadores tradicionais; mais recentemente, revelou um sistema com 53 qu-bits de processamento; desta vez, é a Google a anunciar ter ultrapassado esse limite de processamento e a ter atingido a supremacia quântica.

Num artigo publicado hoje na revista Nature, são revelados os resultados do investimento da Google neste sector que há muito tem vindo a ser falado nos circuitos mais dedicados à tecnologia. Segundo o artigo, esta é uma experiência que demonstra na prática a capacidade de um processador quântico para resolver operações a uma velocidade extraordinariamente superior à de um processador normal.

Sundar Pichai ao lado do computador quântico da Google (foto de Google/DR)

O Sycamore – assim é apelidado o chip desenvolvido pela Google – tem uma capacidade computacional de 54 qu-bit (bits quânticos) e terá conseguido resolver em apenas 3 minutos e 20 segundos aquilo que um computador normal levaria 10 mil anos a fazer. É, precisamente, por se tratar de uma operação impossível de realizar num computador tradicional que este avanço se designa de ‘supremacia quântica’.

Entretanto, a IBM, no seu blogue, já contestou a afirmação da Google, alegando erros procedimentais e de análise na estimativa. Ainda assim, o salto computacional parece estar a ser aceite pela comunidade científica como mais um passo em direcção ao progresso nesta área tecnológica.

Esta questão pode parecer aparentemente fútil ou mais uma competição entre tecnológicas, mas no futuro pode ter inúmeras aplicações práticas. Desde logo, o uso destes computadores em ambiente de investigação científica, como no famoso CERN, permite o processamento mais rápido de dados e a resolução de cálculos que de outro modo seriam temporalmente impossíveis. Por outro, este tipo de sistemas permitirá desenvolvimentos em áreas de extrema complexidade como a inteligência artificial ou a criptografia – por ter uma capacidade de processamento muito superior ao standard actual, estima-se que os processadores quânticos sejam capazes de quebrar a maioria das encriptações actualmente utilizadas com alguma facilidade.

É preciso ter em conta, no entanto  que por agora — e nos próximos anos ou mesmo décadas — estes computadores não estarão ao acesso de comuns utilizadores nem tão pouco sairão dos laboratórios onde estão a ser testados. A computação quântica e os marcos que agora se anunciam são resultado de dezenas de anos investigação e de milhões de dólares de investimento, obtidos em condições extraordinárias só passíveis de replicação em ambientes controlados como os laboratórios onde são desenvolvidos. Para evidenciar esta nuance, cientistas ouvidos pelo New York Times comparam o feito da Google à criação do irmãos Wright de um dos primeiros exemplares do que hoje é um comum avião, em 1903. Tal como neste caso, mais do que o desenvolvimento de uma tecnologia estável, o avanço serviu para demonstrar o seu potencial de construção que viria a ser amplamente explorado no futuro até aos dias de hoje.

Todos deveriam saber explicar computação quântica como o Primeiro-Ministro do Canadá