The Guardian investiga e divulga maiores poluidores do planeta

Um trabalho de jornalismo completo e contínuo do jornal The Guardian que merece toda a nossa atenção.

Numa web dominada por algoritmos e numa sociedade que, em parte, deixa que estes decidam a informação que lhe chega, por vezes as grandes (e melhores) peças jornalísticas não têm o retorno em termos de audiência que seria desejado – ou, então, a narrativa que passa é apenas uma parte de uma história complexa. Não sabemos se é este o caso, mas The Polluters é uma série de investigação do The Guardian sobre os maiores poluídos do planeta, que merece a nossa atenção.

A nossa intenção com este artigo é divulgar esse trabalho do The Guardian; mais que resumi-lo, propomo-nos a avançar os links para os artigos que podem ser consultados livremente online, bem como a partilhar um resumo muito breve do que está em cima da mesa.

Em primeiro lugar, aqui fica o link para todos os conteúdos da série The Polluters que o jornal The Guardian começou a publicar na semana passada, mais especificamente no dia 9 de Outubro:

  • um dos primeiros trabalhos diz-nos que um terço das emissões de CO2 a nível mundial dependem apenas de 20 empresas, que exploram de forma “incansável” as reservas de petróleo, gás e carvão do mundo. A análise foi feita pelo especialista Richard Heede do Climate Accountability Institute (EUA). A lista é liderada por empresas privadas como a Chevron, a Exxon, a BP e a Shell, mas também por companhias detidas por entidades estatais como a Saudi Aramco (Arábia Saudita) e a Gazprom (Rússia). Neste artigo, encontras a lista das 20 empresas compiladas e detalhadas pelo The Guardian.

Para os mais “preguiçosos”, este vídeo pode servir de resumo:

  • a revelação do The Guardian sobre as 20 empresas mais poluidoras do mundo foi desdobrada, de seguida, em análises mais curtas ou focadas. Por exemplo, neste artigo perspectiva-se que as alterações climáticas estão nas mãos de várias entidades estatais, que em conjunto são detentoras de 90% das reservas conhecidas de combustíveis fósseis. A maioria dessas empresas, diz o jornal britânico, são pouco claras e transparentes quanto aos seus negócios.
  • já neste artigo, fruto de outra análise jornalística feita pelo The Guardian e por uma empresa de dados sem fins lucrativos, é referido que as empresas de petróleo e os seus grupos comerciais gastaram, desde Maio de 2018, mais de 17 milhões de dólares directamente em “anúncios políticos” no Facebook – a americana ExxonMobil foi a que mais gastou. O jornal dá alguns exemplos dessa publicidade e das respectivas mensagens.
  • o The Guardian publicou também uma interessante linha cronológica para mostrar que as empresas ligadas aos combustíveis fósseis estão conscientes do seu impacto negativo no planeta desde pelo menos os meados dos anos 1950, continuando, todavia, a expandir-se.

  • outro trabalho interessante dentro da série The Polluters é uma peça sobre a indústria automóvel e como esta, tanto nos Estados Unidos como na Europa, tem feito lobbying a favor dos seus negócios e contra o combate ao aquecimento global, apesar de publicamente algumas dessas empresas parecerem preocupadas com esta problema, com iniciativas como a electrificação da sua frota. Por falar em lobbys, este artigo também merece uma leitura.

The Polluters, o trabalho de investigação do The Guardian que aqui abordámos, continua em aberto e é um trabalho importante. Perante uma indústria poderosíssima e com teias escondidas no sistema político e económico vigente, difíceis de decifrar, é importante que o papel do jornalismo enquanto contra-poder. Com coragem e predispondo-se a correr riscos, o The Guardian fez um trabalho completo e que deverá chegar aos olhos e à atenção de todos nós.

As alterações climáticas estão na ordem do dia e na agenda política, mas é preciso olhar para o tema além do fim do plástico, do veganismo e dos discursos de Greta Thunberg. Se a acção individual é importante, mais ainda é o combate ao lobbying e aos poderes instalados, mais poderosos que qualquer um de nós e que vão conseguindo “safar-se”.