Brave lança browser focado na privacidade e põe internet a pensar na monetização

Baseado na linguagem open source do Chrome, o Chromium, o Brave apresenta-se como um browser que valoriza a privacidade dos seus utilizadores, bloqueando automaticamente anúncios e trackers (rastreadores) indesejados.

Depois de estar disponível em versão beta durante quatro anos, o browser Brave lançou, finalmente, esta semana a sua primeira versão estável. O Brave 1.0 está disponível para Windows, macOS e Linux, e também nos sistemas operativos móveis iOS e Android. Baseado na linguagem open source do Chrome, o Chromium, o Brave apresenta-se como um browser que valoriza a privacidade dos seus utilizadores, bloqueando automaticamente anúncios e trackers (rastreadores) indesejados.

Uma grande fatia dos sites que visitamos apresenta banners e outros tipos de anúncios e muitos desses sites “escondem” também trackers, isto é, rastreadores que recolhem alguma informação sobre as preferências e comportamentos de cada utilizador de forma a que a publicidade que lhe é apresentada seja o mais adequada a si. A publicidade é o modelo de monetização mais comum na internet e, no final do dia, ajuda muita gente a meter o jantar em cima da mesa – porque temos de ser transparentes com os nossos leitores, a publicidade é, neste momento, a principal fonte de receita do Shifter, permitindo que o projecto cresça e evolua.

Contudo, o modelo vigente de monetização por via de publicidade levanta algumas questões pertinentes sobre a privacidade dos internautas. Browsers como o Firefox ou o Chrome estão, assim, a dar a opção aos utilizadores de bloquearem anúncios e trackers indesejados. A diferença é que no Brave essas ‘coisas’ estão bloqueadas por defeito, não sendo preciso ir às definições.

O Firefox oferece o ‘Enhanced Tracking Protection’, uma opção que permite aos utilizadores bloquear rastreadores de terceiros e de redes sociais, entregando relatórios de quantos rastreadores foram bloqueados. Já o Safari bloqueia todos os trackers de sites que não visitas frequentemente, limitando a duração dos trackers dos sites que consultas regularmente a 24 horas. O Microsoft Edge vai começar a restringir alguns trackers por defeito no próximo ano, e a Google prevê adicionar uma opção semelhante ao Chrome. Já no que toca a bloqueio de publicidade, o Chrome já restringe todos os anúncios que não cumpram as normas do Coalition For Better Ads, e as versões móveis do Edge têm um adblocker integrado que precisa de ser activado.

Com mais browsers a apertar o cerco ao modelo de monetização baseado em anúncios e rastreadores, urge encontrar novas formas de fazer dinheiro para garantir as sustentabilidade financeira das plataformas digitais. A proposta do Brave passa por um sistema de recompensas chamado ‘Brave Rewards’ e baseado em blockchain. No fundo, o Brave vai pagar-te pelos anúncios que vês e podes depois retribuir o “dinheiro virtual” que receberes (na forma de Basic Attention Tokens, ou BATs) aos criadores, publicações e sites de que gostas. Importa referir que esses anúncios são ajustados a cada utilizador, mas essa segmentação acontece dentro do browser, não existindo recolha de dados pessoais; os anúncios através do sistema do Brave não serão banners como aqueles a que provavelmente estás habituado, mas notificações push, sendo que poderás ajustar o número de anúncios que queres ver por hora.

Há outras formas de monetização que estão a surgir aqui e ali. Por cá, e na área da comunicação social, muitos órgãos de comunicação social estão a implementar opções de subscrição, que lhes permitem ter uma fonte de receita regular do lado de quem visita. E o SAPO lançou recentemente o SAPO Prime, um sistema de micropagamentos em que o leitor pode comprar peças jornalísticas individualmente, sendo que pode depois ler esses conteúdos sem qualquer publicidade. Outra alternativa chama-se Scroll e permite, através de uma subscrição mensal, aceder a uma série de publicações como a Vox ou o The Atlantic, que usualmente têm publicidade, sem qualquer banner ou outro tipo de anúncio.

Des Martin, do Brave, disse ao Engadget que o Brave tem neste momento 8,7 milhões de utilizadores activos mensalmente e 3 milhões activos diariamente. Cerca de 30% dos utilizadores do Brave estão localizados na Europa. Martin referiu ainda que contrariamente à maioria das empresas que sai da fase beta “muito rápido”, o Brave preferiu prolongar esse período para garantir que quando lançasse o browser o mesmo estivesse funcionalmente completo para todos. Por exemplo, só nesta versão 1.0 é que os ‘Brave Rewards’ estão disponíveis em iOS.