Massive Attack encomendam estudo para reduzir impacto ambiental do mundo da música

Num texto assinado por Robert Del Naja e publicado no jornal The Guardian, a banda revela que vai estudar como a sua actividade impacta o meio ambiente e promete partilhar os resultados com o público, incluindo com outras bandas.

Os Massive Attack são uma daquelas bandas que para além de os seus temas dispensarem apresentações, fora do palco a sua postura também é mais que conhecida. Com uma consciência social que transborda os seus temas, sem cair num activismo gratuito, são figura comum do mundo das artes a participar nas discussões políticas mais acesas e no caso das alterações climáticas não são excepção. Robert Del Naja, um dos membros da banda, assinou esta semana um artigo de opinião do The Guardian em que revela os planos do colectivo para no futuro trazer mais consciência e conhecimento sobre este tema.

O artigo surge pouco tempo depois de os Coldplay terem anunciado o cancelamento da sua digressão internacional utilizando o argumento ecológico como motivação. Para a banda de Chris Martin, fazer uma tour mundial tem um impacto ambiental que não se justifica e que, portanto, não deverão voltar a assumir.

Del Naja segue a mesma linha de raciocínio mas com uma abordagem menos assertiva e mais exploratória. Os Massive Attack não negam a possibilidade de voltar a fazer tours porque, como referem no texto, seria preciso que muitos artistas do mundo fizessem o mesmo para que tivesse o impacto desejado e, em vez disso, encomendaram ao Tyndall Centre for Climate Change Research, um estudo completo sobre os impactos ecológicos do circuito tradicional de digressões.

Como explicam, a ideia é medir mais do que o óbvio impacto que têm as deslocações dos artistas, relacionando outros factores, nomeadamente a forma como cada espectador do concerto se desloca até ao recinto e as condições do próprio espaço. Posteriormente, os resultados serão partilhados com outros artistas em digressão, promotores e organizadores de eventos para que a pegada ecológica possa ser diminuída de uma forma significativa.

No mesmo texto, Del Naja fala sobre as acções que no passado a banda já tomara, nomeadamente através do esquema de compensação de carbono emitido, por exemplo, pagando pela plantação de árvores que possam compensar os poluentes emitidos pela sua actividade; mas revela que, analisando bem, essas soluções acabam por revelar problemas. O músico acrescenta que este esquema de compensação que permite aos mais ricos pagar pela poluição provocada acaba por vitimar sobretudo os mais frágeis como as populações rurais e indígenas.

O artista conclui dizendo que os resultados do relatório implicarão mudanças significativas na forma como as coisas são feitas mas que dadas as circunstâncias não se pode continuar com a postura de “business as usual”. Para além disso, reitera o compromisso dos agentes do mundo da música que já assinaram uma espécie de manifesto pela emergência climática, onde constam mais de 1200 artistas e 600 organizações.