Nasceu um mapa colaborativo de estacionamento de motas em Lisboa

Tiago Peralta, estudante de Mestrado na Faculdade de Ciências de Lisboa, desenvolveu um mapa para te ajudar a arranjar estacionamento para a tua mota. Mas tu podes também ajudar a completar o mapa de Tiago.

Foto via Shifter

O número de motas em Lisboa tem aumentado. As motas não exigem tanto espaço de estacionamento e ocupam também menos espaço na estrada, não formando filas de trânsito e permitindo chegar mais rapidamente ao destino. Numa Lisboa onde entram diariamente mais de 370 mil automóveis, a maioria dos quais com uma só pessoa (o condutor), a mota pode ser efectivamente uma solução para o trânsito caótico e para a poluição – até porque as motas são mais baratas, podem ser eléctricas e, mesmo que não o sejam, consomem menos combustível que um carro normal.

Face ao aumento do número de motas na cidade, a Câmara de Lisboa tem vindo a criar estacionamentos próprios para este tipo de veículos, retirando lugares aos automóveis ou aproveitando zonas mortas. Num lugar onde só cabe um carro, é possível caberem até 10 motas, o que representa um uso muito mais eficiente do limitado espaço urbano. Contudo, não há ainda tanta disponibilidade para estacionamento de motas em Lisboa como há para outro tipo de veículos e, à semelhança das bicicletas, os utilizadores procuram alternativas, como o passeio – em zonas mais empresariais da cidade, é possível vermos uma espécie de parques improvisados, em que os motociclistas basicamente alinham as suas motas num espaço pedonal onde estas não perturbem os peões ou perturbem o menos possível.

O mapa de Tiago Peralta

Para fomentar o uso de parques legais para motas, um motociclista decidiu colocar mãos à obra – ou melhor dizendo, mãos ao código – e desenvolver um mapa online e colaborativo onde se pretende que todos os lugares disponíveis em Lisboa estejam assinalados. Tiago Peralta, o autor da plataforma, explicou ao jornal Público que a ideia para a mesma surgiu ao sentir dificuldade em encontrar estacionamento legal para a sua mota, vendo muitos veículos do género parados em passeios ou outros locais onde os seus condutores podem ser multados. Com este mapa, desenvolvido no âmbito de um Mestrado em Sistemas de Informação Geográfica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Tiago espera ver a sua vida facilitada mas também a de todos os outros motociclistas da cidade.

O mapa arrancou com cerca de 400 parques assinaladosobtidos através dos dados disponibilizados pela Câmara de Lisboa e EMEL de forma aberta – e qualquer utilizador pode sugerir novos parques, sendo que as sugestões ficam assinaladas a laranja até que sejam verificadas – para garantir que é mesmo um estacionamento com todas as condições que deve ter –, passando a azul. Através da plataforma desenvolvida por Tiago, os utilizadores também podem deixar sugestões de novos lugares de estacionamento para motas que deveriam ser criados ou indicar que parques estão a precisar de manutenção. A ideia do jovem estudante é que esta plataforma se torne um ponto de encontro para motociclistas em Lisboa e futuramente também no Porto, onde também quer criar um mapa.

Foto via Shifter

Sem um nome específico, o mapa só aceita zonas onde seja possível estacionar motas gratuitamente e a qualquer hora do dia; ou seja, não são aceites parques privados e pagos.

O mapa de Tiago Peralta não é a única plataforma que se propõe a mapear estacionamento em Lisboa. Também numa lógica colaborativa, a MUBi (Associação Pela Mobilidade Urbana Em Bicicleta) desenvolveu o ‘Cidade Ciclável’, um mapa onde estão assinalados todos os pontos onde existem parqueamentos para bicicletas – neste mapa, a verde estão assinalados os parques existentes e a azul os locais onde os utilizadores gostariam que fosse instalados parques.

Cidade Ciclável (MUBi)