Twitter cria iniciativa para novo modelo de redes sociais: abertas e descentralizadas

O projecto, denominado BlueSky, contará com engenheiros, programadores e designers, e terá como objectivo a longo prazo criar um protocolo aberto, transparente e descentralizado para as redes sociais.

 
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Se habitualmente metemos no mesmo saco Twitter, Facebook e Instagram, a verdade é que a filosofia por de trás destas marcas é diametralmente diferente. Com um número de utilizadores muitíssimo mais baixo e uma empresa dedicada a uma só plataforma, o Twitter, liderado por Jack Dorsey, tem mostrado uma postura mais ágil e uma visão menos economicista do seu desenvolvimento. Prova disso foi o abdicar dos anúncios de políticos na sua plataforma e outra evidência surgiu hoje: Dorsey, revelou na sua conta que no Twitter que a empresa irá financiar uma pequena equipa de desenvolvimento para trabalhar numa norma (standard) aberta e descentralizado para redes sociais.

O projecto, denominado BlueSky, contará com engenheiros, programadores e designers, e terá como objectivo a longo prazo criar um protocolo aberto, transparente e descentralizado para as redes sociais. Um standard é um protocolo que contenha as especificações ou directrizes que determinem como determinado produto na internet deve ser – a sua abertura e descentralização poderia simbolizar que em vez de acedermos a determinada rede social poderíamos “ter” a nossa própria rede social como acontece actualmente com o e-mail.

Dorsey explica que o seu objectivo final seria que o Twitter pudesse ser um cliente deste protocolo, ou seja, tal como as várias operadoras de e-mail. Para dar um exemplo concreto podemos falar do ActivityPub, um protocolo de social networking, aberto e descentralizado, e que serve de base a redes sociais descentralizadas como o Mastodon (estilo Twitter), ou o PeerTube (estilo YouTube).

Na thread que fez no seu perfil, Jack Dorsey disse ter sido inspirado por um artigo do Knight Columbia, que falava desta diferente abordagem à internet por um mundo com maior liberdade de expressão. Nesse artigo, o autor sugere que se voltem a desenvolver protocolos em vez de plataformas, dando não só o exemplo do e-mail como outro muito familiar: o IRC, que servia para chat e tinha como clientes o famoso mIRC.

Dorsey mostrou ainda que parte desta ideia surge depois de assumir a dificuldade neste modelo centralizado em abordar os desafios a longo prazo com que as redes sociais se debatem, bem como da ideia de que o valor das redes sociais se centra cada vez menos na hospedagem de conteúdo e cada vez mais na capacidade de recomendação dos mesmos, dando nota de que “infelizmente a maioria dos algoritmos são proprietários, e ninguém pode escolher ou criar alternativas”. Jack explica que a forma como as redes sociais actualmente funcionam incentiva a controvérsia e a polémica e que, através da criação de uma plataforma aberta e descentralizada com diferentes clientes, os utilizadores poderão procurar experiências diferentes.

Na mesma sequência de tweets, o executivo fala de que possibilidades como esta surgem graças a novas tecnologias como o blockchain, que estabelecem os fundamentos para uma internet diferente, em que a tecnologia persuasiva e aditiva não seja o único caminho.

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