Primeira-Ministra finlandesa sugere semana de trabalho de 4 dias e dias de 6 horas

Estão assim dispostas as bases para que se comece a desenhar um grande teste a este novo sistema.

Sanna Marin é a Primeira-Ministra mais jovem do mundo (foto de Governo da Finlândia via Flickr, CC BY 2.0)
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No final de 2019, Sanna Marin fez títulos um pouco por toda a imprensa internacional por ser a Primeira-Ministra mais jovem do mundo e liderar um Governo composto apenas por mulheres, de cinco partidos diferentes. A abrir 2020, a Primeira-Ministra finlandesa volta às notícias por sugerir uma realidade por muito discutida.

Segundo o site New Europe, foi no congresso de aniversário do seu partido – o Partido Social Democrata – que a jovem líder questionou o dogma dos 6 dias de 8 horas de trabalho cada. Para a finlandesa de apenas 34 anos, os 4 dias de trabalho semanais podem ser o próximo passo; Marin defende que as pessoas merece passar mais tempo com a sua família e aqueles que amam, bem como dedicadas aos seus hobbies e a outros aspectos da vida como a cultura.

Li Andersson, Ministra da Educação nesta coligação, foi uma das primeiras a reagir internamente corroborando a sugestão de Sanna Marin, mencionando que não se trata de um estilo feminino de política mas antes do cumprir das promessas feitas em campanha. (Informaçção actualizada)


Estão assim dispostas as bases para que se comece a desenhar um grande teste a este novo sistema. Para além dos 4 dias de trabalho, como referido, Marin também sugere dias mais curtos de apenas 6 horas, uma ideia já testada na vizinha Suécia em 2015 mas que acabou por não se tornar oficial nem obrigatório para as empresas.

É ainda de assinalar que no dia 1 deste 2020, entrou em vigor nova legislação laboral na Finlândia, que, ainda que não dê o passo para o prometido, revela uma tentativa de adaptação à nova realidade dando mais liberdade ao trabalhador para escolher onde e quando quer trabalhar, para além de reforçar a atenção aos períodos de descanso e à contabilização de horas extra. A ideia central desta proposta é adaptar-se às novas realidades laborais especialmente em profissões da área tecnológica onde não há uma necessidade de trabalho presencial tão premente.

Actualização (7 de Janeiro de 2020): Ao contrário do avançado pela imprensa internacional, a conferência onde Sanna Marin revelou a sua defesa do horário reduzido foi anterior à sua eleição como Primeira-Ministra como esclarece o site News Now Finland.

A sugestão do horário reduzido de trabalho terá surgido num painel de debate entre vários oradores mas, a própria, Sanna Marin fez questão de fazer um tweet revelando que esses não são os planos do partido — uma vez que implicaria uma mudança política radical. Contudo, e apesar da desinformação presente na história, a afirmação de Sanna Marin sobre as pessoas merecem maior tempo de descanso e poderem usufruir de tempo de lazer é confirmada pelos media finlandeses, apenas o timming dessa informação foi mal interpretado pela revista belga New Europe.

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