Grindr acusado de partilhar informação pessoal de utilizadores

Estudo dá conta de que aplicações de encontros como o Grindr partilham informações pessoais dos seus utilizadores com empresas especializadas em segmentação de mensagens publicitárias, de uma forma que pode violar os direitos desses utilizações.

Foto de James via Flickr, CC0 1.0
 
Este artigo é gratuito como todos os artigos no Shifter.
Se consideras apoiar o nosso trabalho, contribui aqui.

É o jornal norte-americano New York Times quem avança a notícia em primeira mão, mas os factos a que reporta surgem de um estudo conduzido pelo Norwegian Consumer Counsil, uma organização financiada pelo governo de Oslo mas sem fins lucrativos.

Segundo esse trabalho, as aplicações de encontros Grindr e OkCupid partilham informações pessoais dos seus utilizadores com empresas especializadas em segmentação de mensagens publicitárias, de uma forma que pode violar os direitos desses utilizadores, tanto na Europa como nos Estados Unidos.

De acordo com a investigação, a aplicação Grindr estaria a enviar dados sobre a localização dos utilizadores com várias empresas – algo corroborado por um teste feito pelo próprio New York Times, que mostrou que a longitude e a latitude de cada utilizador estariam a ser partilhadas com cinco empresas.

Quanto ao OkCupid, o estudo aponta para o facto de serem partilhados dados como a etnia do utilizador, bem como as respostas a um questionário presente na app, contendo perguntas como “já usaste drogas psicadélicas?”, com uma empresa especialista em segmentação.

Apesar de estas duas aplicações terem feito soar os alarmes, o relatório intitulado “Out of Control: How Consumers Are Exploited by the Online Advertising Industry” (“Fora de Controlo: Como os Consumidores São Explorados Pela Indústria Da Publicidade Online”) não se foca apenas nelas. Depois de uma contextualização e enquadramento do mercado, foram analisadas 10 aplicações.

O caso ‘contra’ o Grindr – que já se transformou numa queixa formal contra a empresa gestora da aplicação e cinco empresas com quem esta partilha informação – tem a ver com a falta de informação disponibilizada aos utilizadores sobre a partilha da sua informação – algo por que são inteiramente responsáveis a partir do momento em que a recolhem. Na política de privacidade da aplicação, apenas está listado a empresa de publicidade pertencente ao Twitter, a MoPub, que por sua vez tem mais 180 empresas parceiras, entre elas uma do grupo AT&T, que pode partilhar dados com mais de 1000 outras empresas.

Este relatório surge pouco tempo de na Califórnia entrar em vigor uma lei de protecção de dados semelhante ao RGDP e, apesar de as consequências serem mais duras para com o Grindr, deixa bem claro que as autoridades precisam de fazer muito mais em relação ao mundo das aplicações, que, de um modo geral, exploram o desconhecimento dos utilizadores para lucrar com as suas informações pessoais.

Investimos diariamente em artigos como este.
Precisamos do teu investimento para poder continuar.