Azul ou amarelo? As cores que dividem Hong Kong

Em Hong Kong, as lojas de rua estão a ser obrigadas a escolher um dos lados da barricada, sacrificando a clientela proveniente do outro – e tudo isto se expressa através de um código dicotómico de cores: azul ou amarelo.

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Há meses que os protestos tomam conta das ruas de Hong Kong. Apesar de terem começado em reacção à lei da extradição entretanto cancelada, as manifestações mantêm-se, gerando um aberto confronto social entre aqueles que são pró-independência e os que são a favor de uma aproximação da vizinha China.

Independentemente das motivações ou dos apoios internacionais que cada vez mais se discutem e que adensam a ideia de que este protestos podem ser – mais do que uma pura expressão popular – uma complexa jogada de estratégia política, a verdade é que é nas ruas da região autónoma que a divisão se faz sentir, de diversas formas.

Hong Kong: a história de uma Democracia por realizar

Depois de meses com protestos violentos e uma semana que ficará para a história com manifestantes barricados numa universidade cercada por forças policiais, o conflito expande-se agora para o comércio local, de uma forma caricata, como conta o New York Times. As lojas de rua estão a ser obrigadas a escolher um dos lados da barricada, sacrificando a clientela proveniente do outro – e tudo isto se expressa através de um código dicotómico de cores: azul ou amarelo.

Com amarelo identificam-se os negócios que são a favor do movimento pró-independência, em geral composto por faixas etárias mais jovens. Já com azul identificam-se os que são a favor de uma maior aproximação da China – ou, se quisermos, do cumprimento estrito do acordado entre a Grã-Bretanha e a China aquando do entendimento para que Hong Kong deixasse de ser uma colónia de jurisdição britânica.

Este conflito expressa-se de forma transversal e esta é só mais uma demonstração da clivagem social que se vive em Hong Kong. Nas diferentes reportagens sobre este contexto, é possível perceber que há também subjacente um confronto geracional entre os mais velhos – habituados à ideia de que o território se tornará, mais cedo ou mais tarde, mais próxima da China – e os mais novos que alimentam uma espécie de sonho americano (ideia que se expressa nas bandeiras que se vêem entre manifestantes e na utilização de símbolos como o Pepe The Frog) de que Hong Kong deverá ser independente.

Para já, Hong Kong continua no seu débil impasse político onde todos os avanços e recuos são altamente imprevisíveis. Recorde-se que esta região é uma espécie de paraíso capitalista legalmente ligada à vizinha China, onde o peso do Estado se interliga com o capitalismo do ponta, uma situação paradoxal e complexa que expressa uma das contradições mais vividas do mundo actual: azul ou amarelo?

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