O novo “botão de pânico” do Tinder e outras novidades de segurança

O Tinder anunciou um conjunto de respostas para problemas de violência e assédio que possam ocorrer através da sua aplicação.

Foto de Kon Karampelas via Unsplash

O Tinder não foi a primeira plataforma digital de encontros amorosos, mas acabou por se tornar um símbolo de uma nova forma de conhecer pessoas online. Através do conceito de “swipe” numa lista de pessoas supostamente aleatórias mas próximas geograficamente do utilizador, de “match” no caso de esse “swipe” ser correspondido, e de uma janela de chat onde os dois podem conversar, o Tinder não inventou a roda mas reinventou o online dating.

Mas reinventar coisas não é tarefa fácile o Facebook que o diga. A era digital acarreta desafios novos e, num mundo cada vez mais conectado, esses desafios tornam-se mais evidentes do que há um par de anos atrás. Certo é que alguns encontros físicos que resultaram de “matches” no Tinder têm originado casos de violência contra mulheres, de assédio a raptos ou mesmo homicídios – o que coloca a plataforma numa situação ética e social complicada. É a Match Group, empresa detentora do Tinder, responsável? O que pode esta fazer para mitigar essas questões?

Na semana passada, o Tinder anunciou um conjunto de respostas para problemas de violência e assédio que possam  a ocorrer na sua aplicação, incluindo verificação de fotografias carregadas para a app e uma secção de segurança acessível através da app. O Tinder está também a investir em inteligência artificial e aprendizagem automática para identificar potenciais usos de linguagem abusivos nas janelas de chat, conforme conta esta reportagem da Wired.

O objectivo, nesse caso, é evitar o assédio no meio digital e evitar males maiores quando e se essas conversas passarem para o meio físico. Há, todavia, um desafio grande neste campo; é que determinada linguagem que numa janela de chat do Facebook ou Instagram possa ser imediatamente abusiva, no contexto do Tinder e dos encontros amorosos já pode ser perfeitamente normal. A inteligência artificial terá de provar a sua capacidade, mas em teoria, à medida que esses algoritmos são treinados e aperfeiçoados através da app, melhores deverão ficar e com o tempo passar a cometer menos erros.

Outra das novidades que o Tinder apresentou — direcionada apenas aos Estados Unidos da América — é uma parceria com uma empresa chamada Noonlight (não confundir com Moonlight, o filme) e que, no geral, foi apelidada pela imprensa de “botão de pânico”. Como é possível ler no respectivo site, a Noonlight é uma empresa que promete colocar a tecnologia ao serviço dos utilizadores em caso de emergência – pode ser integrado com diferentes equipamentos e apps; se algo acontecer, os dados da pessoa em risco são enviados para as autoridades. A Noonlight reclama já ter protegido 1,5 milhões de utilizadores desde 2013” e mais de 130 mil “emergências tratadas nos EUA”.

A integração do Tinder com o Noonlight permitirá aos utilizadores norte-americanos do serviço de encontros partilhar com o Noonlight detalhes sobre os seus próximos encontros – com quem serão, onde e quando – e activar os serviços de emergência de forma fácil e discreta através da app (o tal “botão de pânico”). De notar que o Noonlight é opcional e os utilizadores do Tinder que activarem a integração vão passar a ter um badge de segurança visível no seu perfil na app de dating.

A associação do Tinder e do Noonlight parece positiva, mas, segundo reporta o site Gizmodo, acarreta alguns problemas. É que dados pessoais, sobre encontros amorosos, por exemplo, são informações sensíveis, mas de acordo com os termos e condições do Noonlight poderão ser partilhados com parceiros comerciais da Noonlight:

“Quando usa o nosso serviço, autoriza-nos a partilhar informação com equipas de emergência relevantes. Além disso, podemos partilhar informação com os nossos parceiros comerciais, vendedores, e com consultoras que prestem serviços em nosso nome ou que nos ajudem a prestar os nossos serviços, tais como serviços de contabilidade, administrativos, técnicos, de marketing ou analíticos.”

A Noonlight, que terá acesso através dos seus utilizadores a informações sensíveis, não refere que tipo de dados podem ser partilhados com os seus parceiros comerciais – que incluem o Facebook e o YouTube; mas a empresa garantiu ao Gizmodo que não comercializa dados. Por outras palavras, qualquer informação tua à qual a Noonlight tenha acesso (através do Tinder ou não) não será por garantia da empresa vendida para fins publicitários, mas isso não significa que esta não os forneça a terceiros para fins de emergência, administrativos ou analíticos, por exemplo.

Certo é que o Tinder está à procura de soluções para os problemas de assédio, insegurança e violência que possam ocorrer dentro da app ou fora da app, e a ligação ao Noonlight, assim como as outras novidades, pode ser um caminho. Mas é preciso mais e alargar as soluções para todos os mercados. A Match Group, empresa que gere outros serviços de encontro além do Tinder (Match.com, OkCupid e Plenty of Fish), tem já estado a trabalhar na triagem preventiva de criminosos sexuais conhecidos num dos outros serviços de dating, funcionalidade que o Tinder também poderia adoptar no futuro.

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