Nos bastidores da criatividade de… Mindshake

A Mindshake leva a criatividade a sério. Eles são a verdadeira personificação daquilo em que a mishmash acredita, estimulando o pensamento criativo e as suas mentes por onde quer que passem, livres de padrões e estereótipos.

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A Mindshake leva a criatividade a sério. Eles são a verdadeira personificação daquilo em que a mishmash acredita, estimulando o pensamento criativo e as suas mentes por onde quer que passem, livres de padrões e estereótipos.

Na Mindshake House, somos levados por paredes cheias de post-its e de ideias por todos os lados. A House parece um quadro branco, um sítio onde a experimentação é absolutamente incentivada.

Primeiramente, qual a história por trás da Mindshake?

Katja Tschimmel (KT): Na verdade, começamos a empresa com o nome “Na’Mente”, que durou os primeiros anos. O actual nome “Mindshake” surgiu depois de uma reunião entre amigos para nomear um evento da marca em 2011. Depois disto percebemos que fazia total sentido para nós! Além disso, ter um nome internacional é quase obrigatório nos dias de hoje. Assim, quando precisamos de explicar o que fazemos, podemos simplesmente dizer: “somos Mind Shakers”. Nós agitamos as mentes dentro das organizações, para promover a inovação através da Criatividade e do Design Thinking.

Sabemos que o trabalho da Mindshake se centra principalmente na criação de ambientes estimulantes para outras empresas, mas internamente como mantêm a criatividade nas vossas tarefas diárias?

Joana Santos (JS): Utilizamos os mesmos processos internamente do que contribuímos para o mundo exterior. Todas as técnicas, ferramentas e processos aplicados nas empresas foram testados e aplicados com a nossa equipa. Nesse sentido, talvez seja incomum, porque praticamos o que pregamos.

Joana Moreira (JM): Neste momento, que começamos a desenvolver novos modelos de inovação social e economia circular, estamos também a usar o próprio processo de Design Thinking. Aplicamos ferramentas como mapas mentais em reuniões, Brainstormings (com notas post-it, que não são um clichê) no nosso dia a dia. Ao visitar o nosso escritório, podem confirmar que aplicamos todas as técnicas e ferramentas que ensinamos.

“Design Thinking” e “Mind Mapping” são termos que fazem todo o sentido para designers e criativos, mas podem ser bastante abstratos para pessoas fora deste mundo. Como vocês os descreveriam?

KT: Design Thinking é o método. É originário do design e da metodologia clássica de design. Tornou-se agora uma disciplina complementar do próprio design, libertando-se da categoria principal, sendo positivamente apropriada pelas organizações nos processos de inovação. Atualmente, o Design Thinking é definido como um Método de Inovação. Inovação de produtos. Inovação de serviço. Inovação social. Inovação de modelos de negócio. Inovação da educação. Cultura organizacional. Toca todas as disciplinas de todas as áreas do conhecimento.

Dessa forma, dizemos que o Design Thinking é um método, o Mind Mapping uma ferramenta que faz parte do processo do Design Thinking, e o brainstorming uma técnica separada do Design Thinking.

Agora que o “Design Thinking” está a ganhar cada vez mais impulso global sendo cada vez mais valorizado, acham que os designers estão a dar a devida importância?

JS: Eu acho que atualmente a expressão “Design Thinking” é mais reconhecível. As pessoas já sabem que é um modelo valioso, contudo para nós é importante que isso não seja apenas uma tendência. É acima de tudo, uma prática e uma mentalidade.

As pessoas são definitivamente mais sensíveis a esse assunto. A maioria delas já usa algum tipo de ferramenta, às vezes sem saber. O Brainstorming, por exemplo; existem muitas versões por aí, que às vezes por desconhecimento, não obtêm os resultados esperados, e por isso é interessante ter a intervenção de um especialista em Design Thinking para que possa guiá-lo para usar corretamente essas ferramentas.

Acham que todos nós somos criativos? E que algumas pessoas têm apenas uma rotina criativa? Ou não são de acordo que isso pertença a todos nós?

JM: Todos somos criativos, não duvido disso. O nosso cérebro pode ser trabalhado assim como também trabalhamos o nosso corpo. Como quando vamos ao ginásio para trabalhar os nossos abdominais, o nosso cérebro também pode ser trabalhado para desenvolver certas habilidades.

KT: O potencial todos temos, é inato. Muitas vezes dizemos “Oh, as crianças são tão criativas!”. Achamos criativas porque são livres para se expressar, sem filtros e restrições. Mais tarde, com a educação muitos tetos são impostos. Então vemos cada vez mais a busca pela resposta certa. Em vez de pensar de maneira divergente, começamos a pensar de forma mais convergente.

Há uma boa analogia no livro Creative Confidence, de Tom e David Kelly. Eles afirmam que abrir o fluxo do pensamento criativo para algumas pessoas é como descobrir que estão a conduzir um carro com o travão de mão ligado. De repente, eles sentem que ao destravar podem conduzir livremente. É exatamente isso que observamos nos métodos que ensinamos às empresas. Através de certos exercícios e técnicas, somos capazes de desencadear preconceitos e bloqueios no pensamento.

No caso dos artistas, este travão já está desligado por eles próprios, no entanto profissionais que tiveram uma educação diferente, por vezes tendem a usar este travão com mais frequência. Todos nós temos esse potencial, apenas precisa de ser trabalhado.

Como acham que podemos ajudar os profissionais a abraçar a criatividade na sua vida?

JM: Não há uma receita definida, mas existem alguns exercícios que podemos fazer. No nosso livro, “The Creativity Virus”, podem encontrar ferramentas, desafios e inspirações para estimular o pensamento criativo de todos.

KT: Existem muitos jogos para o desenvolvimento das nossas capacidades de pensamento criativo! Jogos de percepção contra estereótipos, de criação de associações incomuns, de analogias, de narrativas etc. Quando estamos constantemente a fazer esse tipo de exercício, estamos a entrar numa outra mentalidade. Viajar, aprender uma nova língua ou ler um livro sobre um assunto que saia da nossa zona de conforto, ajuda-nos muito a estimular outras áreas do conhecimento. O que geralmente acontece é que os especialistas leem apenas sobre a sua própria especialidade e raramente se aprofundam em outras disciplinas. Isso é algo que todos nós podemos começar a aplicar.

JS. Há também coisas para estimular a criatividade de uma maneira mais global, que têm que ver com políticas públicas. É por isso que atualmente estamos a investir a maior parte do tempo na aplicação do Design Thinking à inovação social.

Na verdade, estamos a começar a ver algum investimento sobre o assunto, e de que forma os governos podem promover a participação da comunidade na inovação social. Quando todas as pessoas são chamadas a participar para mudar alguma coisa e têm ideias sobre um novo espaço para uma cidade, isso também estimula a criatividade de uma maneira global, em vez de trabalhar apenas ao nível individual. Se conseguirmos influenciar as pessoas que podem mudar as políticas educacionais, talvez possamos dar um grande passo para a comunidade.

Temos lido sobre o assunto “uma nova mente e “porque os Right-Brainers vão governar o futuro”, de Daniel H. Pink, passando de uma era de informação e otimização de processos para uma era em que o inventor e criativo é mais valorizado. O que pensam sobre isso?

KT. Eu acho que os dois modos de pensar são importantes, pois os dois complementam-se. Essa é a razão pela qual as equipas devem incluir diferentes perfis de pensamento para funcionarem bem em conjunto. Certamente existem profissões que podem desaparecer à medida que a inteligência artificial avança, mas também já existem máquinas a fazer arte! Não acho que este assunto seja assim tão claro.

Onde acontecem os vossos momentos mais criativos?

KT. Como equipa, gostamos de trabalhar aqui na Mindshake House. Usamos os diferentes espaços da casa para diferentes projetos. Neste momento, no último andar, temos o material de inovação social, quando todos queremos estar nos computadores reunimos no meu escritório – é o mais luminoso!

JS. Eu já gosto mais da cozinha!

JM. A cozinha é o sítio para onde vamos assim que chegamos, então para mim torna-se também o lugar mais confortável. Sentimo-nos muito bem aqui, tomamos um café ou um chá, temos até muitas reuniões aqui. Quando queremos visualizar algo, vamos para uma das nossas salas que tenha parede livre e começamos por fazer uma parede de post-its ou então a escrever no quadro de parede. Esta casa na verdade facilita-nos fazer exatamente isso, pensar como um quadro branco, flexível o suficiente para nos movimentarmos.

Quanta liberdade pensam que o facto de ser criativo vos dá?

JS: Significa responsabilidade. Uma grande responsabilidade fica em cima dos ombros das pessoas criativas. Não é só pelo facto dos criativos não poderem fazer o que quiserem … Eles podem! Mas claro que não só expectamos a decisão, como também os resultados que podem alcançar.

JM: Um criativo tem liberdade para pensar de maneira diferente, para explorar, mas também possui momentos de tomada de decisões (convergentes) para, por exemplo, mostrar resultados como novos produtos e novos serviços. O pensamento divergente e o pensamento convergente fazem parte do processo de ser uma pessoa criativa. Ser criativo é sobre “pensar fora da caixa” todos os dias, mas, como em qualquer outro trabalho, traz também responsabilidades.

 

Mishmash Creatives é uma série criada entre o Shifter e a marca de material de escritório minimalista Mishmash que procura perceber como é o trabalho de designers e de criativos portugueses ou residentes em Portugal, e como eles usam os produtos da Mishmash.

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