És voluntário numa das apps mais rentáveis do mundo e provavelmente não te apercebeste

És voluntário no Instagram e não sabias?

Foto de Charles via Unsplash
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No ano passado, o Instagram fez 20 mil milhões de dólares contigo na sua equipa e não te deu nem um tostão. O valor corresponde às receitas publicitárias, isto é, ao que o Facebook, dono do Instagram, ganhou com os anúncios que vão aparecendo no teu feed e entre as stories que vês, e tu, sim tu, mereces os parabéns.

Quando em 2012 o Facebook anunciou a aquisição do Instagram, não tinha ainda um plano de monetização para a aplicação; os anúncios só chegaram no ano seguinte, causando estranheza aos utilizadores até então habituados a fazer scroll apenas por fotos dos seus amigos. O Instagram tornou-se num negócio e, com o contínuo aumento da sua popularidade – principalmente entre os mais jovens – e a recente estagnação da rede social Facebook – também dentro do mesmo alvo –, passou a ser um negócio importante para a empresa de Mark Zuckerberg.

O Instagram é onde mais de mil milhões de utilizadores partilha conteúdo entre feed e stories, interage com os seus fãs, mostra o seu dia-a-dia, conversa com amigos ou desconhecidos, segue artistas e projectos de que gosta, obtém notícias sobre o que lhe interessa, encontra produtos para comprar, assiste a vídeos… Apesar de ter ganho mais funcionalidades, a app que nasceu em torno da partilha de fotos quadradas mantém ainda hoje a sua simplicidade que parece ser a receita para o sucesso. É uma das apps mais descarregadas, 63% dos utilizadores do Instagram abre a app pelo menos uma vez por dia, gastando em média 28 minutos; 500 milhões usam as Stories diariamente.

A popularidade do Instagram e os 20 mil milhões feitos em 2019 com receitas publicitárias levam-nos à questão do início: o modelo de negócio da plataforma, focado em si e não nos utilizadores, torna-nos todos uma espécie de voluntários indispensáveis à geração de lucros astronómicos.

Os utilizadores publicam conteúdo, o Instagram promete-lhes uma audiência através de uma app gratuita, é visualmente apelativa e fácil de usar. Ao mesmo tempo, o Instagram vende publicidade, colocando anúncios entre os conteúdos dos utilizadores. Parte das receitas são naturalmente para investir no Instagram, pagar salários e as despesas de manutenção. Mas há lucros; o Facebook, enquanto empresa com fins lucrativos, obteve um excedente de 18,5 milhões de dólares em 2019 – o que, apesar de uma descida de 16% face ao ano anterior, continua a ser muito dinheiro.

Já o YouTube, outro gigante das receitas publicitárias, tem uma abordagem diferente à do Instagram; em 2019, a Google fez com a aplicação de vídeos 15,1 mil milhões de dólares em receitas publicitárias; mas ao contrário do Instagram, o YouTube partilha parte desse valor com os utilizadores. Não o faz com todos, é certo, apenas com os criadores de conteúdos que cumprem determinados critérios de monetização, mas deixa em aberto essa opção para os mais dedicados.

As regras impostas pelo YouTube são e serão sempre discutíveis, mas a empresa, subsidiária da Google, vai apresentado uma postura de diálogo com os criadores, conhecidos como youtubers. O Instagram também tem uma ferramenta de vídeo apresentada como um concorrente directo ao YouTube, o IGTV e segundo consta estará agora a planear uma ferramenta de monetização para o IGTV, semelhante à do YouTube, de acordo com screenshots obtidos pelo TechCrunch.

Não se sabe quais serão os critérios para os criadores começarem a fazer dinheiro com vídeos do IGTV, mas esse poderá ser um passo importante para a aplicação dar algo de volta aos utilizadores e deixar de depender tanto do trabalho voluntário. De resto, Facebook já o faz, permitindo a criadores ganhar dinheiro com anúncios entre os seus vídeos, marcas ou subscrições de fãs.

Ao contrário do YouTube que é um site exclusivamente de vídeos, Instagram e Facebook vão muito além desse género de conteúdos, ainda assim a única forma de monetização que oferecem ou estão a considerar oferecer aos utilizadores ser de vídeos.

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