Estudo analisa o coronavírus nas notícias e nas redes sociais em Portugal

Os investigadores detectaram pouca desinformação e uma busca generalizada por informação fidedigna.

Imagem via Media Lab/ISCTE-IUL

O Media Lab do ISCTE-IUL, laboratório de investigação dedicado às ciências da comunicação, publicou esta semana um relatório sobre a presença do tema ‘Coronavírus’ nas notícias e redes sociais em Portugal no primeiro mês de incidência da epidemia. Os investigadores detectaram pouca desinformação e uma busca generalizada por informação fidedigna.

“As pesquisas Google – e sobretudo nesse dia mais intenso em pesquisas – colocam a procura de informação fidedigna – através da Direcção-Geral de Saúde, por exemplo – no centro das preocupações das pessoas”, lê-se no relatório disponibilizado em PDF. “Algo de semelhante ocorre nas redes sociais. A maior parte dos posts e tweets ao longo deste período – sobretudo aqueles que se tornaram mais ‘virais’ – procuram desdramatizar a cobertura dos media, que é considerada excessiva.”

Este parece ser, portanto, um campo em que a generalidade das pessoas estava mais interessada em procurar informações úteis do que em confirmar ou sustentar as suas opiniões ou crenças sobre um assunto polémico”, concluem os autores deste estudo, que pretendeu perceber como é que o tema ‘Coronavírus’ entrou nos diferentes planos mediáticos em Portugal: nas pesquisas Google, na cobertura dos meios de comunicação social e nos posts, tweets e retweets nas redes sociais.

Segundo o relatório, as incidências de desinformação são baixas nas redes sociais em Portugal, “ao contrário do que tem acontecido noutros países”. “Mesmo realizando uma análise específica nas amostras de páginas e grupos públicos de Facebook mais frequentemente associados a conteúdos desinformativos em Portugal, não é visível uma grande penetração de falsidades evidentes. É verdade que algumas narrativas de desinformação internacionais – como a que sugere que o vírus surgiu num laboratório de biotecnologia chinês – chegam às páginas portuguesas, mas isso acontece menos frequentemente do que noutros casos”, lê-se.

Sobre os órgãos de comunicação social, o Media Lab do ISCTE-IUL indica que foi assumido “desde cedo uma cobertura muito ampla e intensa” do tema e que “essa cobertura foi-se intensificando ao longo do período analisado, desde as primeiras notícias sobre a epidemia até à cobertura muito intensa e extensiva aquando da confirmação dos primeiros casos em Portugal”. Os investigadores olharam tanto para a quantidade de notícias publicadas nos sites dos meios de comunicação social, como no tempo dedicado nos noticiários ao assunto.

A título amador e paralelamente ao estudo, Rúben Martins, jornalista do Público, contabilizou a presença do ‘Coronavírus’ nos telejornais portugueses de 9 de Março:

  • RTP1: 28 min (50% do Telejornal)
  • RTP2: 18,4 min (54% do Jornal 2)
  • SIC: 57 min (95%) e 18 min no Polígrafo (78%)
  • TVI: 1h07 (74% do Jornal das 8)
  • CMTV: 1h25 (inclui o tempo do ‘Investigação CM’)

O relatório do Media Lab do ISCTE-IUL indica ainda que as pesquisas e publicações nas redes sociais sobre o ‘Coronavírus’ só despertaram em Portugal no final de Fevereiro e sobretudo depois da confirmação dos primeiros casos em Portugal, apesar de o tema já estar presente na comunicação social há mais tempo. “Ou seja, pelo menos até ao surgimento dos primeiros casos em Portugal, este foi um assunto que parece ter sido sobretudo promovido pela agenda dos media.”

O estudo publicado é fruto do trabalho dos investigadores Gustavo Cardoso, Ana Pinto Martinho, Décio Telo, Inês Narciso, José Moreno, Miguel Crespo, Nuno Palma e Rita Sepúlveda.

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