Grande Barreira de Coral ameaçada pelas temperaturas acima do normal

As alterações climáticas são uma das principais ameaças à mais bela barreira de recifes do mundo.

A Grande Barreira de Corais (foto de Robert Linsdell via Flickr, CC BY 2.0)

Nos Verões de 2016 e 2017, perdeu-se uma parte significativa da Grande Barreira de Coral; os corais enfrentaram stress em consequência das temperaturas altas das águas, o que levou ao seu branqueamento e, como não conseguiram recuperar, acabaram por morrer. Desde 1998 que o planeta já assistiu a quatro momentos deste tipo (incluindo este), estimando-se que já se tenham perdido 345 400 quilómetros quadrados desta rede de corais coloridos.

A Grande Barreira de Coral é Património Mundial e fica nas águas da Austrália, sendo deste canto do mundo que surge novo alerta em relação a este importante organismo natural. A autoridade australiana responsável pela supervisão e manutenção do recife está preocupada com a sua saúde, referindo que as próximas semanas serão críticas. De acordo com a Autoridade do Parque Marítimo da Grande Barreira de Coral, a precipitação e nebulosidade das últimas semanas permitiu colorir “partes” da Grande Barreira de Corais, mas as temperaturas da superfície da água continuam “de uma forma geral acima do esperado nesta época do ano” e são motivo de preocupação.

As temperatura do oceano nas próximas semanas serão cruciais para a recuperação dos recifes que ficaram brancos por causa do calor. A autoridade australiana responsável refere que a temperatura das águas junto à maior parte do recife situaram-se entre 0,5 e 1,5 ºC acima da média para esta altura do ano. Em algumas áreas costeiras as temperaturas registadas estão 2,5 a 3,0 ºC acima dos valores considerados normais.

“As previsões indicam que podemos esperar níveis contínuos de stress térmico por pelo menos mais duas semanas, talvez três ou quatro”, referiu David Wachenfeld, cientista-chefe da Autoridade do Parque Marítimo da Grande Barreira de Coral. “Portanto, este é ainda um momento crítico para os recifes e serão as condições climáticas das próximas duas a quatro semanas a determinar o resultado final.”

A Grande Barreira de Coral é uma extensa faixa de corais composta por cerca de 2 900 recifes; tem uma extensão estimada de 200 quilómetros e uma largura a variar entre os 30 e 740 quilómetros. Perante temperaturas acima do habitual, os recifes reagem entrando em stress e perdendo a sua cor, porque libertam as algas coloridas. Essas algas são o alimento dos corais, pelo que corais brancos são corais sem a sua habitual reserva nutricional. Foi o que aconteceu entre 2016 e 2017, fruto das temperaturas altas daqueles dois Verões.

O último Verão foi particularmente quente para a Austrália com recordes de temperaturas e incêndios brutais pelo país. A Grande Barreira de Coral ainda está a recuperar do calor anormal e os cientistas esperam, assim, que os corais branqueados voltem a ganhar cor. No seu relatório mais recente, actualizado a cada cinco anos, os responsáveis referem as alterações climáticas como a principal ameaça aos recifes, juntando o desenvolvimento costeiro e a pesca ilegal como outras ameaças.

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