Ataque? Roubos? Houseparty alega ter sido vítima de ”campanha de difamação paga”

“Estamos a investigar indicações de que os rumores recentes foram espalhados por uma campanha de difamação paga para prejudicar o Houseparty.”

Foto via Houseparty
 
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O pânico gerou-se esta segunda-feira entre o WhatsApp e o Twitter. Mensagens sobre um alegado comprometimento de contas do Houseparty que teria resultado em roubos avultados de dinheiro, bem como no bloqueio de contas de Netflix e Spotify, começaram a circular naquelas plataformas e depressa se espalharam como se de um vírus se tratassem. Utilizadores do Houseparty apressaram-se a apagar as suas contas.

Detida pela Epic Games (a mesma dona do Fortnite), o Houseparty é uma aplicação de videochamadas de grupo que permite conversar com amigos e em conjunto jogar clássicos como o Heads Up!, Quick Draw! e Trivia. É possível criar chats privados mas também há uma opção para “deixar a porta” e permitir que terceiros possam invadir videochamadas a qualquer momento, desde que sejam amigos de um dos participantes. Em tempos de pandemia, que obrigou meio mundo a ficar em casa, o Houseparty tornou-se um fenómeno ao permitir que amigos continuassem a ‘fazer a festa’ a partir de suas casa. O fenómeno começou na Europa, mas já se estendeu a outras geografias onde o Covid-19 também já mudou vidas; contas feitas, o Houseparty é uma das apps gratuitas mais descarregadas nas lojas de aplicações em Portugal e nos Estados Unidos.

A popularidade do Houseparty em PT e nos EUA, top das apps mais descarregadas na App Store

Tudo parecia estar a correr de perfeição para o Houseparty e, de repente, uma aplicação que não pertence a nenhum dos gigantes do costume (Facebook, Google…) estava na berra. Contudo, esta segunda-feira partilhas através do Twitter e WhatsApp alegavam que as suas contas Houseparty tinham sido comprometidas e que hackers tinham conseguido acesso às suas contas de Spotify e Netflix; algumas dessas mensagens, falavam ainda em roubos de 500 ou mais euros da conta bancária da amiga de uma amiga.

Screenshot de uma Instagram Story com a mensagem

Houseparty oferece recompensa de 1 milhão

O Houseparty depressa garantiu, através da sua conta de Twitter, que o serviço é seguro, nunca foi comprometido e não recolhe passwords de outras contas”. Noutra mensagem, partilhada horas mais tarde através da mesma rede social: “Estamos a investigar indicações de que os recentes rumores sobre hackers foram espalhados por uma campanha de difamação paga para prejudicar o Houseparty. Estamos a oferecer uma recompensa de 1 000 000 de dólares para a primeira pessoa que forneça prova dessa campanha para bounty@houseparty.com.”

Especialistas em segurança, cá em Portugal e lá fora, garantem que o Houseparty é seguro e que não existe qualquer evidência ou falha que pudesse ter desencadeado um ataque como aquele que foi descrito nas mensagens virais. Além disso, os termos e condições da aplicação não pedem aos utilizadores nada de diferente do que habitualmente é pedido, nem a aplicação tem permissões estranhas. O acesso ilegítimo a contas de Spotify e Netflix só poderia acontecer se os internautas usassem o mesmo e-mail e password para aceder a essas contas e ao Houseparty, e se tivesse existido uma base de dados do Houseparty libertada online – o que a Epic Games, proprietária do serviço, diz que não aconteceu.

Prejudicar o Houseparty

A teoria do Houseparty de que tudo se tratou de uma campanha de difamação está em cima da mesa. Ao Público, Kimberly Baumgarten, directora de marketing da Epic Games, disse que a investigação interna que está em curso “mostra que muitos dos tweets originais que estão a espalhar as acusações já foram apagados e algumas contas foram suspensas”. Essas contas eram bots, ou seja, contas falsas criadas para atacar o Houseparty. “Estamos a investigar indicações de que os rumores recentes foram espalhados por uma campanha de difamação paga para prejudicar o Houseparty”, acrescentou a mesma responsável por e-mail.

Quem poderia querer fazer mal ao Houseparty? Não sabemos nesta altura e se calhar nunca saberemos. Certo é que num mundo digital dominado por grandes empresas como o Facebook, a Google ou a Microsoft, o surgimento de um novo player é muitas vezes tido como uma ameaça.

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