Como Jeff Bezos salvaguardou a sua fortuna durante a pandemia (e até a aumentou)

A riqueza a subir de Jeff Bezos contrasta fortemente com problemas e polémicas que se vivem no interior da Amazon.

Foto de Seattle City Council via Flickr, CC BY 2.0
 
Este artigo é gratuito como todos os artigos no Shifter.
Se consideras apoiar o nosso trabalho, contribui aqui.

A pandemia do Covid-19 tem empurrado milhões de pessoas para o desemprego e outra tantas para um futuro incerto, complicado de gerir do ponto de vista da saúde mental. Mas nem todos estão a perder. Jeff Bezos, o dono da Amazon e o homem mais rico do mundo, viu a sua fortuna aumentar em 24 mil milhões de dólares apesar da pandemia.

De acordo com o índice da Bloomberg que segue os mais ricos do mundo, a fortuna de Bezos aumentou 24,9 mil milhões de dólares desde o início de 2020 para 140 mil milhões – um aumento de cerca de 20%. Mas como é que o dono da Amazon conseguiu?

De acordo com o The Guardian, o multimilionário norte-americano de 56 anos vendeu uma grande parte das suas acções da Amazon em Fevereiro, antes da escalada mundial do Covid-19 e do colapso generalizado dos mercados. Em apenas 11 dias, Bezos despachou 4,1 mil milhões de dólares em acções, segundo os registos oficiais. Apesar de não se saber se a venda de acções foi propositada ou não (Bezos tem-no feito ao longo dos últimos anos), a verdade é que o timing foi perfeito. O homem mais rico do mundo viu depois a bolsa recuperar durante três dias seguidos, algo que não acontecia desde 1933.

Por fim, a Amazon tem estado em altas. A procura pelo e-commerce aumentou para níveis semelhantes aos das férias de Natal, uma vez que mais pessoas estão isoladas em suas casas. O preço das acções da Amazon subiu 5,3% e esta terça-feira alcançou um novo pico, tendo recuperado das perdas avultadas de Março, segundo relata o The Guardian.

Foto de Mike Maguire via Flickr, CC BY 2.0

Tensões nos armazéns da Amazon: vários infectados, uma morte e um despedimento

A riqueza a subir de Bezos contrasta fortemente com problemas e polémicas que se vivem no interior da Amazon. Os trabalhadores dos armazéns do gigante de e-commerce temem o risco de contágio por estarem a trabalhar no envio dos produtos que os clientes encomendam. Há relatos de tensões no seio das equipas, casos de Covid-19 confirmados e pelo menos uma morte – um homem que trabalhava como gestor de operações num armazém na Califórnia.

Alguns trabalhadores juntaram-se em protesto pela falta de protecções; Chris Smalls, o rosto do movimento sindical que surgiu dentro da Amazon, foi despedido e descrito pela própria empresa como uma pessoa “nem inteligente nem articulada”, de acordo com uma nota interna obtida pela VICE. Bernie Sanders já surgiu em defesa de Chris Smalls, que, por seu turno, publicou no The Guardian uma carta aberta dirigida a Bezos.

Bezos que, no final de Março, foi amplamente criticado por ter convidado o público a doar para o Amazon Relief Fund, um fundo que a empresa decidiu começar com 25 milhões de dólares para ajudar os funcionários e parceiros durante a pandemia. Com uma fortuna 4 mil vezes superior ao do “fundo de alívio” para a Amazon, a proposta de Bezos foi catalogada como um pouco absurda.

Entretanto, Bezos foi um dos multimilionários que decidiram abrir cordões à bolsa para ajudar a combater a pandemia. O homem mais rico do mundo decidiu doar 100 milhões a bancos alimentares – iniciativa pela qual foi igualmente criticado, tendo sido acusado de usar essa manobra como forma de distração face às polémicas que assolam a sua liderança.

Investimos diariamente em artigos como este.
Precisamos do teu investimento para poder continuar.