Depois da pandemia viral, a pandemia do desemprego

Estudo aponta para uma maior taxa de desemprego a atingir o sul de França e da Europa e para uma suavização desta queda à medida que se avança em direcção a norte no continente europeu.

Foto de Matt Hoffman via Unsplash
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O vírus rompeu com a ordem natural das coisas e empurrou muitos dos profissionais activos para dentro de suas casas e longe dos seus postos de trabalho. Indústrias não essenciais, lojas de rua, centros comerciais são alguns dos exemplos de espaços que fecharam; hotéis, alojamento local, restaurantes, cafés são exemplos de espaços que, mesmo que não tenham fechado, viram a sua procura severamente afectada. Em consequência desta disrupção e agora que se volta ao normal possível, teme-se que o reajuste deixe de fora pessoas que partiram para a pandemia com emprego mais ou menos seguro.

Desde o início do processo de confinamento que um pouco por tudo o mundo nas pesquisas de Google se revelou uma tendência generalizada para questionar a segurança dos empregos. Como mostra um relatório do BIS (Banco de Pagamentos Internacionais), órgão de supervisão de 55 bancos nacionais, incluindo o português, as pesquisas sobre o termo “unemployment” subiram de forma inversamente proporcionalmente ao padrão de mobilidade que se vivia nas cidades. Retidas em casa, longe dos seus postos de trabalho, cidadãos de todo o mundo perderam a segurança nos seus empregos.

Gráficos via BIS

Nos Estados Unidos da América, o pico de desemprego foi de tal modo elevado que o gráfico que o ilustra até virou meme viral.

Mas na Europa não tem sido observada essa perspectiva global. É isso que faz o relatório supra-mencionado, sem se focar em dados oficiais mas analisando o tecido empresarial de cada país e, noutra dimensão, as tendências das pesquisas do Google.

“O emprego nas regiões do sul da Europa e na França tem altos índices de risco, enquanto as regiões do norte da Europa têm índices de risco mais baixos. As regiões da Europa Oriental e Central possuem índices de risco intermédios”, lê-se no documento.

Gráfico via BIS

O modelo desenvolvido pelos autores do estudo calcula o risco de desemprego, baseando-se na exposição percebida de sectores e na percentagem de emprego em pequenas empresas em cada país. Por exemplo, a indústria do turismo é um sector tido como altamente exposto, tal como os transportes ou o retalho. A partir daqui, os autores inferem que muitas das regiões europeias têm elevadas percentagens de desemprego, aferindo que será a percentagem de emprego em pequenas empresas a maior agravante para o risco de desemprego.

“As consequências económicas da pandemia, provavelmente, serão mais graves para pequenas empresas. As pequenas empresas geralmente dependem bastante da procura local e são financeiramente limitadas.”

Relacionando as várias dimensões, o estudo aponta para uma maior taxa de desemprego a atingir o sul de França e da Europa, com os níveis mais elevados da escala, e para uma suavização desta queda à medida que se avança em direcção a norte no continente europeu. A explicação apontada para o maior risco das empresas pequenas tem a ver com o facto desta pandemia ter afectado especialmente a procura local e de baixa escala. Um dado fácil de entender ao pensarmos sobre os nossos hábitos em quarentena, apesar de todas as iniciativas para que se apoiasse o comércio local.

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