Há um boicote publicitário ao Facebook a acontecer. Mas porquê?

Várias marcas estão a suspender a sua actividade publicitária no Facebook e Instagram.

Foto de Barefoot Communications via Unsplash
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Várias marcas estão a suspender a sua actividade publicitária no Facebook e Instagram em resposta ao apelo #StopHateForProfit, feito por vários movimentos activistas e que tem como alvo as redes sociais por lucrarem com discursos racistas, violentos e de ódio, e com desinformação.

A North Face e a Patagonia foram as duas grandes marcas que anunciaram juntar-se ao protesto; ambas vão deixar de anunciar nas plataformas do Facebook e Instagram, pelo menos até Julho. “Estamos dentro. Estamos fora, Facebook”, partilhou a The North Face, uma marca de vestuário outdoor, num tweet. “Vamos suspender todos os anúncios no Facebook e Instagram, com efeito imediato, até ao final de Julho, aguardando-se uma acção significativa da parte da gigante rede social”, escreveu a Patagonia, uma concorrente da North Face, também no Twitter. Outras duas marcas com peso nos Estados Unidos – a REI, também de vestuário desportivo, a Upwork, uma plataforma de recrutamento, a Talkspace, uma app de saúde mental, e a Braze, uma empresa de software – se juntaram ao movimento.

O boicote está a ser promovido por alguns grupos cívicos, incluindo a Anti-Defamation League, a National Association for the Advancement of Colored People, a Sleeping Giants (a “original”), a Color Of Change, a Free Press e a Common Sense. O movimento tem um site online. “Nós sabemos o que o Facebook fez. Permitiu o incitamento à violência contra manifestantes que lutam pela justiça racial na América”, lê-se num manifesto publicado nessa página. Os autores do protesto questionam a actuação do Facebook, que acusam de dar voz a “nacionalistas brancos” e a “fechar os olhos” a estratégias de supressão de votos.

“Poderiam eles proteger e apoiar os utilizadores negros? (…) Sem dúvida. Mas escolhem activamente não o fazer. 99% dos 70 mil milhões de dólares do Facebook resultam de publicidade. Quem é que os anunciantes defendem? Vamos enviar ao Facebook uma mensagem poderosa: os vossos lucros nunca valerão a pena para promover ódio, fanastismo, racismo, anti-semitismo e violência. Por favor juntem-se a nós.”

O #StopHateForProfit procura assim pressionar o Facebook a deixar de ganhar dinheiro através de publicidade e a fazer algo em relação ao discurso de ódio, ao racismo e à desinformação que, dizem, circula na plataforma e prejudica a comunidade negra. A VF Corp, grupo ao qual pertence a North Face e outras marcas, como a Vans ou a Timberland, gastou 756 milhões de dólares em publicidade no ecossistema do Facebook (que inclui o Instagram) durante o ano fiscal que terminou a 31 de Março; outras marcas do grupo estão a “considerar” fazer o mesmo que a North Face. De realçar que esta marca está apenas a suspender a publicidade; vai continuar a produzir conteúdo orgânico para as plataformas do Facebook.

Carolyn Everson, vice-presidente do Facebook para os negócio globais, disse à CNN que “respeitamos profundamente a decisão de qualquer marca e continuamos focados no importante trabalho de remover discurso de ódio e de disponibilizar informação crítica sobre votações”. Num comunicado, citado pela Forbes, Derrick Johnson, presidente da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), refere que “embora reconheçamos o valor que o Facebook oferece para conectar pessoas de cor umas às outras, questionamos uma plataforma que lucra com a supressão de votos ou de vozes negras”.

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