A estreia de Drake: o disco mais importante de 2010

'Thank Me Later' foi o primeiro álbum de estúdio do rapper canadiano.

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“Fraco rapper” para as publicações de hip hop (e para o Washington Post), o “nome mais importante do momento” para o New York Times. É verdade que numa perspectiva comercial Drake já era enorme em 2010, na sequência da mixtape do ano anterior, mas a persona ainda estava em construção e a crítica, embora alguma o elogiasse, não o compreendia totalmente. O NME apontou as múltiplas colaborações como um problema, algo que já não se viria a colocar poucos meses depois com My Beautiful Dark Twisted Fantasy, disco carregado de featurings. A Cokemachineglow perguntou: “devemos começar a chamar-lhe Justin Bieber do rap?”. Esta ideia é interessante pois fui ouvir algumas canções do excelente Take Care e a minha mulher perguntou-me, em relação à faixa homónima, porque motivo estava a ouvir Justin Bieber. E isto vai tudo ao encontro de uma ideia de indefinição que se criou ao ouvir Thank Me Later: rapper ou cantor?

Repare-se: Drake não tem o chamado street cred: a sua maior provação terá sido o divórcio dos pais que é algo que atira logo a abrir, em “Fireworks”, como que a jogar as cartas todas em como também enfrentou problemas reais. Não terá sido essa a intenção, mas Thank Me Later parece ter sido revisto na maior parte dos casos como um disco de alguém com algo para provar num terreno específico, o do hip hop, quando percebemos ao longo da última década que a ambição era outra: domínio total.

Thank Me Later, conseguimos perceber hoje, terá sido o disco mais importante desse ano, mesmo num 2010 que contou com a obra-prima de Kanye West. Abriu caminho para vários nomes que dominaram a década: o próprio Drake, claro, mas também The Weeknd ou Frank Ocean. Estes artistas inauguraram também uma nova forma de pensar a auto-promoção alicerçada na internet. Aliás, é o próprio Drake quem promove o conterrâneo no início da série de mixtapes, em 2011. Drake torna-se num meme, The Weeknd trabalha o mistério e Frank Ocean usou o Tumblr para comunicar numa linha editorial ténue entre o pessoal e o profissional.

O tempo haveria de colocá-lo no trono das estrelas pop e isso hoje em dia também engloba… o rap.

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