Maio de 2020 foi o mais quente da história: sim, outra vez

Foram registadas temperaturas "muito anormais" na Sibéria, com quase 10°C acima do normal.

Foto de Daniel Born/via Unsplash
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O passado mês de maio foi o mais quente desde que há registo, comparando com o mesmo período em anos anteriores. De acordo com o serviço europeu de mudanças climáticas Copernicus, que registou temperaturas muito acima do normal, especialmente no Ártico, maio de 2020 “foi 0,63°C mais quente do que a média no mesmo mês de qualquer ano entre 1981 e 2010, o que o torna o mês de maio mais quente desde o início da recolha de dados”, à frente ainda de maio de 2016 e maio de 2017.

Foram registadas temperaturas mais altas do que o normal e até “muito anormais” na Sibéria, com quase 10°C acima do normal. No noroeste da região, a quebra de gelo nos rios Ob e Yenisei nunca tinha começado tão cedo, disse o Copernicus.

O comunicado refere que a primavera também foi particularmente amena em grande parte da região do Ártico, nomeadamente no oeste do Alasca, e na Antártida. Globalmente, o serviço europeu destaca que os últimos doze meses – de junho de 2019 a maio de 2020 -, igualam o período do ano mais quente anteriormente já registado, entre outubro de 2015 a setembro de 2016, com 0,7°C acima do considerado normal para a mesma altura do ano.

Também em Portugal, o mês de maio foi o mais quente dos últimos 89 anos. De acordo com o Boletim Climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), maio foi um mês “extremamente quente e seco” e é o mais quente desde 1931, igualando maio de 2011.

O IPMA destaca ainda que, no período de 17 a 31 de maio verificou-se a ocorrência de uma onda de calor, de norte a sul do território do continente, considerada uma das mais longas e com maior extensão territorial registada num mês de maio. O Instituto destaca também que durante o mês foram registados valores muito altos da temperatura do ar, que foram muito superiores aos valores considerados normais, na segunda quinzena de maio, em particular a partir do dia 17.

Devido ao aquecimento global, causado em parte pelas emissões de gases com efeito de estufa produzidas pelas atividades humanas, o planeta já ganhou mais de 1°C desde a era pré-industrial, causando a multiplicação de eventos climáticos extremos como ondas de calor, secas ou inundações, a que temos assistido nos últimos tempos.

O ano de 2019 foi o segundo ano mais quente de sempre, depois de 2016, e os especialistas esperam que a temperatura média global quebre um novo recorde no próximo período de cinco anos, entre 2020 e 2024.

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