Conservadores vencem na Croácia. Recuo da economia deverá ser a prioridade do Executivo

O HDZ mantém-se no poder, mas desemprego e queda do turismo vão colocar o Governo da Croácia à prova no próximo mandato.

Foto de: Arno Mikkor (EU2017EE)
 

O partido União Democrática Croata, HDZ, saiu vencedor nas eleições legislativas deste domingo, dia 5. A Croácia, que assistiu a uma significativa queda na economia depois da quebra do turismo, volta a ser governado pelos conservadores. De um total de 151 assentos parlamentares, o partido conquistou 68.

“É uma grande vitória, mas também significa uma grande obrigação. Tivemos um mandato difícil e os desafios que nos esperam são certamente ainda maiores”, referiu Andrej Plenkovic, Primeiro-Ministro croata, após a contagem dos votos. O HDZ celebra, assim, um melhor resultado face às últimas legislativas de há quatro anos. Mesmo assim, o partido não atingiu a maioria absoluta e terá que procurar parceiros para coligação.

Já a Restart, Recomeço, coligação formada por cerca de dez partidos e principal opositor, sofreu uma queda face ao último sufrágio: o partido conseguiu 41 assentos no Parlamento, menos 15 lugares. Davor Bernardic, líder dos social-democratas, admitiu que “não é fácil falar depois de um resultado destes”.

A eleição contou também com o aumento da extrema-direita no Parlamento. O partido de coligação Miroslav Škoro Homeland Movement, considerado populista e nacionalista, afirmou-se como terceira força política no país e ocupa 16 lugares nos próximos quatro anos. O grupo político foi criado em fevereiro de 2020 por Miroslav Škoro.

Ao todo, cerca de 3,8 milhões de croatas foram considerados elegíveis para exercer o direito de voto. Segundo o jornal Balkan Insight, a participação cifrou-se nos 46,25%. As sondagens apontavam consecutivamente para um empate entre o HDZ e a coligação Restart, Recomeço.

O HDZ, partido presente na política nacional desde a independência da Croácia nos anos de 1990, deve contar ainda com o apoio das minorias étnicas, que ocupam oito dos 151 lugares, distribuídos por sérvios, italianos, húngaros, eslovacos, checos, povos da ex-Jugoslávia, entre outros.

Inicialmente, as eleições legislativas tinham data marcada para outubro deste ano, mas com a dissolução do Parlamento em maio, os croatas foram chamados às urnas mais cedo. O sufrágio, contudo, foi controlado através de medidas de segurança adicionais em contexto de pandemia.

À semelhança dos restantes países da Europa, em março, a Croácia adotou medidas restritivas para conter a disseminação do novo coronavírus. O país manteve-se estável até ao desconfinamento faseado. Nos últimos dias, o número de casos diários tem aumentado: existem, neste momento, 3220 casos positivos, 113 mortos e 2210 recuperados. No mês de junho, o Governo fechou as fronteiras com os vizinhos Balcãs devido ao número elevado de casos que se regista nesses países. A Sérvia voltou a decretar o estado de emergência na capital, onde estão a construir um hospital de campanha, depois de se registar um novo surto desde o pico da pandemia.

Depois das eleições legislativas, o HDZ vai ter de lidar com as consequências da Covid-19 no país, como o aumento do desemprego. É expectável ainda que a economia recue cerca de 10% devido à queda do número de turistas no país nos últimos meses. O turismo é um dos setores mais rentáveis para o território e afirma-se agora como uma das mais importantes fileiras de mercado – a Croácia, em 2018, era o 19.º país do mundo onde o turismo mais contribuía para o PIB nacional, segundo a ONU.

À escala global, o relatório da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas “estima uma perda de 850 milhões a 1,1 mil milhões de chegadas de turistas internacionais, de 910 milhões a 1,1 biliões de dólares em receitas de exportação e de 100 a 120 milhões de empregos, dependendo da abertura das fronteiras em julho, setembro ou dezembro”.

Radar

Gostaste do que leste? Quanto vale conteúdo como este?

Trabalhamos todos os dias para te trazer artigos, ensaios e opiniões, rigorosos, informativos e aprofundados; se gostas do que fazemos, apoia-nos com o teu contributo.