Trump quer banir TikTok nos EUA, Microsoft pondera comprá-lo

O TikTok não é a primeira tecnologia chinesa que o Governo norte-americano vê como uma ameaça ao nível de segurança.

Foto de Solen Feyissa via Unsplash
 
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“Vamos bani-los dos Estados Unidos.” As declarações de Donald Trump aos jornalistas sobre o TikTok, na passada sexta-feira, sugeriam a intenção do Presidente norte-americano de bloquear a aplicação de origem que se tem tornado popular nos últimos meses a nível global, o mais tardar até sábado. “Tenho essa autoridade… [A ordem] vai ser assinada amanhã [sábado].” Na base da ameaça, estão, segundo Trump, preocupações de segurança. Mike Pompeo, Secretário de Estado norte-americano, e importante aliado de Trump, explica-o melhor, sem contudo apresentar grandes provas. “Estas empresas de software chinesas que estão a fazer negócio nos Estados Unidos estão a recolher dados directamente para o Partido Comunista Chinês, o seu aparato de segurança nacional. Podem ser dados de reconhecimento facial [dos utilizadores], informações sobre onde vivem, os seus números de telefone, os seus amigos, com quem estão conectados. Isto são preocupações que o Presidente Trump tornou claro que iria resolver. São problemas reais de segurança nacional”, comentou o braço direito de Trump num programa matinal na FOX News.

Contudo, este assunto estava longe de ficar por aqui. A questão do TikTok, de Trump e da alegada ameaça para os Estados Unidos foi um assunto que rapidamente evoluiu com o nome da Microsoft à mistura. Também na sexta-feira começaram a surgir rumores dando conta da intenção da tecnológica norte-americana de adquirir o negócio do TikTok nos Estados Unidos – vontade mais tarde confirmada pela empresa liderada por Satya Nadella e que poderá, afinal, envolver todo o TikTok (não só a parcela americana). A ByteDance, empresa chinesa que detém a popular aplicação, já revelou entretanto que quer desinvestir por completo do mercado dos Estados Unidos e que está disponível para vender essa parte. Inicialmente a ByteDance ponderou ficar com uma fatia minoritária do negócio nos Estados Unidos, proposta que a Casa Branca terá rejeitado.

Em cima da mesa está agora a aquisição do TikTok por parte da Microsoft. Depois de uma reunião entre Donald Trump e Satya Nadella, a Microsoft revelou no domingo ao final do dia que está a discutir a compra da ByteDance; as negociações entre a tecnológica norte-americana e a chinesa deverão prolongar-se até 15 de Setembro. De acordo com a Reuters, este terá sido o prazo de 45 dias concedido pelo Presidente dos Estados Unidos. Para o senador republicado Lindsey Graham, trata-se de uma situação em que todos ganham. “Obrigado ao Presidente Trump por proteger os consumidores americanos do Partido Comunista Chinês e por devolver os empregos aos Estados Unidos”, escreveu ainda no Twitter.

A imprensa estatal chinesa escreve que a proibição do TikTok seria um “um acto bárbaro de um governo desonesto” e rejeita as acusações dos Estados Unidos sobre ameaças à segurança nacional. Num editorial publicado pelo Global Times, órgão do comunicação social do Partido Comunista Chinês, escreve-se ainda que a aquisição por parte da Microsoft é uma “caça e saque ao TikTok pelo Governo dos EUA em conjunto com empresas de alta tecnologia norte-americanas”.

O TikTok foi lançado pela ByteDance em 2017 e adquiriu a Musical.ly, um serviço popular de partilha de vídeo entre os adolescentes nos EUA e na Europa. A ByteDance juntou as duas aplicações numa só, o TikTok. O negócio de aquisição não foi aprovado pelo Comité para Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS), que, segundo a Reuters, decidiu abrir no ano passado uma investigação ao TikTok. A aplicação terá cerca de 100 milhões de utilizadores nos Estados Unidos. A ByteDance garantiu, este domingo, que os dados de utilizadores norte-americanos são mantidos nos EUA e que os maiores investidores da empresa chinesa são norte-americanos. No meio de toda esta confusão, o jornal britânico The Sun avança que a chinesa ByteDance vai mudar a sua sede de Pequim para Londres depois de um acordo com o Governo britânico. A ByteDance poderá anunciar a mudança para Londres em breve.

O TikTok não é a primeira tecnologia chinesa que o Governo norte-americano vê como uma ameaça ao nível de segurança; em 2019, a Administração de Trump proibiu as chinesas Huawei e ZTE de comprarem tecnologia americana, o que obrigou, por exemplo, a Huawei a deixar de usar a versão comercial do Android nos seus telemóveis. A decisão terá sido motivada pelos avanços da China no 5G e pelo atraso norte-americano.

Em sentido inverso é preciso dar conta de que as principais aplicações norte-americanas estão banidas em solo chinês. Aplicações como Twitter ou Facebook são legalmente inacessíveis em território chinês, graças à conhecida Grande Firewall Chinesa.

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