Fogo em Lesbos desaloja milhares de refugiados e cria “crise humanitária sem precedentes”

Ainda sem ajuda, os migrantes foram retirados do campo de Moria, em Lesbos, depois do fogo com várias frentes ter deflagrado. Agora, vivem na rua, em estacionamentos e em parques de supermercados. União Europeia já mostrou solidariedade com os refugiados.

Foto de @th_voulgarakis via Twitter
 
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Foi na madrugada de terça-feira que deflagrou o primeiro incêndio no campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia. O fogo levou a que, nos dias seguintes, milhares de pessoas tivessem de fugir do maior campo da Europa, que abrigava cerca de 13 mil pessoas, mais de quatro vezes a sua lotação máxima. Para já, sem ajuda, vivem na rua.

O Governo grego acredita que os incêndios terão surgido de forma intencional dentro do campo, depois de as autoridades de saúde diagnosticarem 35 casos positivos de Covid-19. “O medo dos ilhéus de que o vírus se pudesse espalhar foi exacerbado quando as autoridades admitiram que, no final da tarde de quarta-feira, haviam conseguido localizar apenas oito deles”, explica o The Guardian. O Ministro da Migração da Grécia, Notis Mitarachi, disse que “os incidentes em Moria começaram com os requerentes de asilo por causa da quarentena imposta”.

À BBC, Marco Sandrone, coordenador do projeto Médicos Sem Fronteiras (MSF), em Lesbos, disse que a tragédia era “uma bomba-relógio que finalmente explodiu”. Em estado de sobrelotação, os migrantes foram mantidos em “condições desumanas” durante vários anos, acrescenta.

Por outro lado, o Ministro das Migrações suplente, Giorgos Koumoutsakos, já reagiu, alertando que “o centro de receção foi completamente destruído” e “como resultado, milhares de pessoas estão desalojadas”. O político considera um milagre não ter havido mortos ou feridos e apelida a tragédia de “crise humanitária sem precedentes”. O Governo da Grécia já decretou estado de emergência na ilha de Lesbos.

Os bombeiros encontraram dificuldades na contenção do fogo devido a reações mais violentas por parte de alguns migrantes. Segundo o mesmo jornal britânico, ao canal estatal de televisão ERT o chefe do corpo de bombeiros do Egeu do Norte, Konstantinos Theofilopoulos, afirmou que o fogo “deflagrou em várias frentes” e que “encontraram resistência”, nomeadamente com pessoas a atirarem pedras.

A tragédia já percorreu o mundo e ouvem-se ecos de ajuda pelas redes sociais. “Os meus pensamentos vão para todos os que foram colocados em perigo no campo de migrantes de Moria”, começa por dizer o Presidente da Comissão Europeia, Charles Michel, no Twitter. “Solidariedade total com o povo de Lesbos que oferece abrigo, com os migrantes e com os funcionários. Estamos em contacto com as autoridades gregas e prontos para mobilizar apoio”, concluiu.

“Já concordei em financiar a transferência imediata e acomodação no continente das restantes 400 crianças e adolescentes desacompanhados. A segurança e o abrigo de todas as pessoas em Moria são a prioridade”, escreveu, na mesma rede social, a comissária europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson. A promessa já foi cumprida com três aviões a transportar as 406 crianças da ilha de Lesbos até à Grécia continental.

“A IOM já transferiu 406 crianças desacompanhadas em três voos de Lesbos para o continente grego na sequência dos incêndios de Moria. As crianças estão agora acomodadas com segurança no Norte, graças à ação rápida e coordenação com o Governo grego, Comissão Europeia, ACNUR e UNICEF”, avança a Organização Internacional da Migração (IOM), no Twitter.

Para já, os refugiados permanecem sem ajuda. “As famílias dormiam nas margens das estradas e em estacionamentos e campos de supermercados em toda a ilha, que esteve na vanguarda da crise migratória europeia em 2015-2016”, confirma a agência Reuters.

Considerado o pior campo de refugiados do mundo, a maior parte dos migrantes – cerca de 70% – são de origem afegã. Ainda assim, o local abriga pessoas naturais de mais de 70 países. Numa reportagem da BBC datada de 2019, os psicólogos do campo de Moria alertavam: há crianças “que dizem que querem morrer”.

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