Ligou-se o Interruptor, o novo media independente em Portugal que é open source

O Interruptor promete repensar a cultura “com calma, mas também com criatividade”. Através de formatos longos, sejam eles escritos, sonoros ou visuais, o Interruptor vai ainda colocar a análise de dados e tecnologia ao serviço do jornalismo para “despoletar novas narrativas”.

 
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“O Interruptor é uma revista multimédia independente que olha para o mundo pelas lentes da cultura, tentando que nunca fiquem embaciadas.” É desta forma que se apresenta o Interruptor, o mais recente projecto independente de comunicação social a surgir no panorama português, da autoria de Rute Correia.

Acessível a partir de hoje em interruptor.pt, o Interruptor promete repensar a cultura “com calma, mas também com criatividade”. Através de formatos longos, sejam eles escritos, sonoros ou visuais, o Interruptor vai ainda colocar a análise de dados e tecnologia ao serviço do jornalismo para “despoletar novas narrativas”. “A nossa causa maior é a promoção das literacias digital e mediática com a cultura como pano de fundo”, lê-se no editorial de lançamento.

No arranque, o Interruptor apresenta-se com poucos mas bons conteúdos. São três peças no total. Numa delas, foram testados algoritmos para se perceber se estes conseguem diferenciar os heterónimos de Fernando Pessoa. As outras duas integram duas séries que serão desenvolvidas ao longo dos próximos tempos. No primeiro capítulo de Estamos a ouvir mais música portuguesa?, é feito um enquadramento histórico da amplificação da música portuguesa nos órgãos de comunicação social na viragem do milénio. Já na estreia de Jogar à tabela para chegar mais longe, examinam-se dezasseis anos de contagens dos álbuns mais vendidos em Portugal para se tirar algumas respostas.

O Interruptor vai ainda lançar-se numa demanda de percorrer vários mapas para desvendar até onde chega a cultura no nosso país; o primeiro capítulo será sobre bibliotecas e chegará via podcast.

A página inicial do Interruptor no dia de lançamento

“Acreditamos que a informação de qualidade, aberta e plural, é fundamental numa sociedade democrática. E que a sua negação é um obstáculo real ao exercício da cidadania que se materializa sobre os mais vulneráveis”, aponta-se no editorial de lançamento. “Num país onde, sem transferências sociais, quase 45% da população vive em risco de pobreza, a existência de locais onde o acesso ao conhecimento se mantém livre pode ser um precioso aliado na mitigação do fosso entre os que já têm possibilidades e os que ficaram sem elas ou nunca as viram sequer. Sem conteúdos fechados, o Interruptor será mais um destes redutos em Portugal.”

Por esse motivo, os trabalhos do Interruptor são de acesso gratuito e, graças à disponibilização dos mesmos sob uma licença Creative Common (CC BY-NC-SA), podem inclusive ser republicados noutros sítios, desde que para fins não comerciais e com atribuição dos devidos créditos. O Interruptor é, assim, o primeiro órgão de comunicação social em Portugal a disponibilizar todo o seu conteúdo sob uma licença aberta que permite a sua partilha e reutilização. Os detalhes dessa licença podem ser conhecidos aqui.

O código desenvolvido e partilhado pelo Interruptor estará também disponível sob uma licença de software livre, GNU-GPL3.0, que permite que qualquer pessoa possa usar esse código para qualquer finalidade, estudá-lo, alterá-lo e até redistribui-lo. Esse código pode ser encontrado no perfil do Interruptor no GitHub.

O Interruptor é um projecto da Rute Correia, que conta com mais uma equipa de duas pessoas: o Ricardo Correia, que trata da sonoplastia e fotografia, e o Ciaran Edwards, que programa o site. “Esperamos que gostem do nosso trabalho – que o leiam, ouçam, partilhem e apoiem.” O Interruptor pode ser apoiado através da plataforma Open Collective por 1, 5 ou 20 euros/mês, ou através de donativos únicos a começar nos 5 euros.

“O Interruptor é, sobretudo, fruto da inspiração de outros – daqueles que nos últimos anos têm tido um papel crucial no desenvolvimento de um pequeno, mas firme, sector de órgãos de comunicação social independentes e de orientação comunitária. Falo especificamente do Shifter, do Jornal Mapa, do Gerador, do Fumaça e do Divergente. Não são os únicos que têm forçado a mudança neste universo, mas são aqueles que, de facto, têm cumprido as promessas de evolução e de inovação que os media tradicionais tendem a apregoar, mas que rápida e sucessivamente se esquecem de implementar.”

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