Aurora Dourada, partido de extrema-direita grego, considerado organização criminosa em Tribunal

Kyriakos Mitsotakis, Primeiro-ministro grego, falou da decisão judicial como o fim de um ciclo traumático na vida pública do país, e reiterou que os nazis que agora perdem na justiça, já haviam perdido democraticamente quando foram “expulsos” do parlamento.

 
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O partido grego Aurora Dourada, de ideologia de extrema-direita, foi esta semana considerado ilegal pelo Tribunal Grego. O partido que em 2012 elegeu 21 deputados para o parlamento helénico e que já havia sido derrotado democraticamente nas últimas eleições, em 2019, em que perdeu toda a representação parlamentar, vê agora toda a sua actividade extinta.

O veredicto resulta de um julgamento que envolvia 68 membros do partido, sobre quem recaíam as mais diversas acusações. Entre elas, a mais grave que acabou por vir a dar-se como provada, sobre Giorgos Roupakis, de 51 anos, por esfaquear até à morte o rapper Pavlos Fyssas, Killah P, em 2013, valeu-lhe a sentença de morte. Outros membros do grupo foram acusados de tentativa de assassinato de sindicalistas comunistas e de um migrante egípcio. Na generalidade, a acusação central sobre o partido determinava a sua extinção, para além das penas por crimes individuais sobre cada um dos membros.

O julgamento teve mais de 450 sessões, e em todas elas,destacava-se na audiência a mãe do rapper morto às mãos do partido e uma das grandes promotoras do julgamento. Apesar da ideologia explícita, foi a morte de Fyssas que espoletou o processo em tribunal. Recorde-se que em 2013, Nikos Michaloliakos foi preso preventivamente, juntamente com mais 5 membros do partido, acusado de gerir uma organização criminosa, tornando-se no primeiro político eleito a ser preso desde o fim da lei militar na Grécia.  Michaloliakos, matemático de 56 anos, foi acusado de ser o líder de um partido que agia, de facto, como organização criminosa, incentivando a perseguições públicas e actos extremistas. Na altura, parte dos presos saíram sobre fiança, reclamaram sem alvos de uma perseguição política mas o julgamento prosseguiu, especialmente assente na ligação do partido ao assassinato do rapper anti-fascista. Desde então o caso arrastou-se pela justiça grega chegando agora ao fim depois de vários anos.

Kyriakos Mitsotakis, Primeiro-ministro grego, falou da decisão judicial como o fim de um ciclo traumático na vida pública do país, e reiterou que os nazis que agora perdem na justiça, já haviam perdido democraticamente quando foram “expulsos” do parlamento.

O partido era acusado de perfilar a ideologia Nazi, procurar a fundação de uma polícia segundo estes princípios e de perseguir, assediar e ameaçar adversários políticos, para além de ser suspeito de se ter financiado ao estilo da máfia com chantagem, extorsão e lavagem de dinheiro. A princípio o caso foi polémico e as prisões dos membros do partido não foram imediatamente aceites por toda a gente – até porque na constituição grega nenhum partido pode ser banido por perfilar ideologia extremista, a não ser que seja considerada uma organização criminosa. Foi isso que aconteceu.

De resto, ao longo dos últimos anos, os 5 que durou o julgamento, o partido agora extinto foi-se diluindo à medida que os seus membros se foram afastando e à medida que as acusações iam engrossando. Em 2019, apesar da perda de todos os lugares no parlamento helénico, o partido conquistou 2 lugares no parlamento europeu, ocupados por Ioannis Lagos e Athanasios Konstantinou. O primeiro anunciou a sua desvinculação ao partido em 2019, permanecendo como independente na casa da democracia europeia, já o segundo foi recentemente expulso do partido, assumindo a partir de julho de 2020 a mesma condição.

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