‘GreenEST’: uma conferência sobre green tech na Estónia em tempos de pandemia

No dia 12 e 13 de Outubro realizou-se ao vivo e online a GreenEst, evento que procura juntar corporações, sector público e Startup com projectos relacionados com o ambiente.

Foto de Geir Stint/GreenEst
 
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“A maior conferência de Greentech dos Nórdicos”, foi assim que organizadores e anfitrião apresentaram o evento, repetindo em todas as ocasiões. GreenEST é um jogo de palavras que torna a palavra “greenest” (a mais verde) numa combinação entre “green” e EST, de Estónia. Neste evento, em todo o tipo de circunstâncias existe um colar à designação de país nórdico deixando para trás o rótulo de país de leste, ex-comunista e ex-União Soviética. Faz parte da narrativa oficial das principais instituições estonianas apresentarem-se como um farol de progresso e investimento tecnológico. Por todo o lado encontram-se aceleradores de Start Up e parques de ciência, como a organizadora deste evento, a Tehnopol. Com os tempos de pandemia a devastarem quase todos os eventos públicos em todo o mundo, também não havia muita competição. Assim, já se pode realizar um evento com cerca de 100 pessoas e chamar-lhe “o maior”. Houve também uma emissão online de todos os discursos, com parte dos convidados a falarem sobre os seus países de origem. 

O local físico do encontro foi o Kultuurikatel, um local que está habituado a conferências de líderes europeus, conferências de todo o tipo, de tecnologia à ComiCon, passando por concertos de Heavy Metal e Reggae. O detalhe principal é este centro de eventos ser uma central de energia termo-elétrica convertida do passado, ou seja, não podia estar mais dentro do tema.

Os oradores

Tal como já foi referido, esta conferência procurou unificar três mundos. O mundo do sector público, com oradores do governo da Estónia, representantes da União Europeia, embaixadas, e representantes do poder local, com grandes corporações económicas e investidores, mais Start Ups do sector, à procura de reconhecimento. Os temas andaram sempre à volta do incontornável mundo pós-Covid-19, e do Pacto Ecológico Europeu (Green New Deal) da UE e os fundos de mil milhões de Euros para projectos de investigação e implementação para tornar a União Europeia neutral até 2050.

Foram muitas as apresentações sobre a necessidade de converter a produção de energia em energias renováveis, especialmente porque a Estónia tem um alto consumo de combustíveis fósseis na produção de electricidade. Não será de admirar que grande parte dos fundos do Pacto Ecológico sejam alocados à indústria da energia da Estónia que precisa de renovação forte. Ainda assim, existem planos para empresas pequenas, Start Ups ligadas à produção de comida e gestão ambiental. Um dos painéis mais interessantes foi precisamente sobre o futuro da alimentação, com investigadores universitários, pequenos empresários da área e representantes políticos locais. Fungos, vegetarianismo e corte no consumo de carne e uso de insetos foram as mega-tendências apresentadas e aconselhadas para investimento.

Exibição de Projectos

O evento contou com um espaço de exibição de bancadas onde pequenas empresas apresentavam os seus produtos. Não eram muitos, mas ainda se viram algumas ideias interessantes.

Devido ao tema, a maior parte eram empresas e instituições ligadas ao ambiente, como a Universidade de Tartu, a apresentar um carro movido a energia solar, Solaride, que vai à Austrália participar numa corrida com outros concorrentes (geralmente vai uma equipa da Universidade de Aveiro também). Relacionado com transportes, foram apresentados projetos como o Ecorent, um sistema de aluguer de carros a electricidade, ou scooters eléctricas com caixa de transporte. Claro que nos podemos questionar sobre a eficiência das baterias de lítio e dos meios de transporte a electricidade quando a produção é feita por meios não sustentáveis, mas não há como negar que há uma intenção de reduzir o diesel.

Outros projectos tinham objectivos mais práticos, como a Timbeter, que procura registar toda a produção de madeira do princípio ao fim para assegurar a eficiência do transporte e a certificação de origem. Do outro lado da exploração florestal também apareceu uma empresa chamada Single.earth com o objectivo de tornar a exploração florestal menos centrada no abate de árvores para produção de madeira, procurando compensar os proprietários de área florestal por redução de carbono e manutenção de ecossistemas.

Em relação à produção de comida, uma das empresas em exibição era a Greenbite, que procura produzir barras energéticas com insectos como um dos ingredientes centrais. Os seus parceiros, BugBox, apresentam-se como uma empresa que fornece tecnologia de produção insectos como grilos e gafanhotos para alimentação humana e animal, curiosamente também em actividade em Portugal.

É sempre bom verem-se fundos destinados a este tipo de eventos, mas também é bom que nos questionemos sobre a utilização e eficiência dos projectos, por mais bem intencionados que sejam. É difícil acreditar que vamos ver grandes fatias de orçamentos serem disponibilizados a pequenos projectos sem serem agarrados por grandes conglomerados económicos. De qualquer forma, iniciativas deste tipo têm de acontecer para continuar o fluxo de ideias e a procura de soluções por todos. Esta foi a terceira conferência e já há promessa de uma 4ª GreenEST. É ver o que acontece para o ano, se é online ou não.

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