Uma manifestação para não deixar a música ao vivo morrer com a pandemia

“Junta-te à fila para que o circuito não morra” chama a comunidade artística e o público a juntar-se numa fila/manifestação que pretende sensibilizar para a importância das salas de espetáculos para a cena musical nacional.

 
Este artigo é gratuito como todos os artigos no Shifter.
Se consideras apoiar o nosso trabalho, contribui aqui.

27 salas de programação de música em todo o país, unidas na associação Circuito deram-se recentemente a conhecer anunciando uma manifestação inédita. Dia 17 de Outubro, pelas 15h00, em Lisboa, Porto, Viseu e Évora artistas e público esperarão, em fila, à porta das salas fechadas, chamando a atenção para a importância destes espaços no tecido cultural e pedindo medidas de apoio para garantir a sua sobrevivência.

Depois de em 2019, estas 27 salas terem contabilizado um total de 7.537 actuações musicais para uma audiência de 1.178.847 pessoas, envolvendo dezenas de milhares de autores, intérpretes e outros profissionais do espectáculo, em 2020 o cenário foi diferente e a pandemia obrigou a um fechar de portas quase imediato. Agora, 27 salas de espectáculo unem-se para pedir ao governo medidas e, de certa forma, a solidariedade do público. Entre a lista de salas integrantes do circuito vemos nomes de todo o país, como os lisboetas Lux e Musicbox, o Cine Incrível de Almada, o Club de Vila Real, o Salão Brazil de Coimbra ou o Barreirinha Bar Café do Funchal.

“Para evitar a perda irreparável desta rede de palcos, a Circuito apela à implementação urgente de medidas de apoio e estratégias públicas de protecção e valorização do sector. Estas medidas passam pela criação de um programa imediato de investimento nestas salas, válido até ser autorizada a retoma sustentável da actividade e que garanta a compensação do prejuízo mensal provocado pelos custos fixos de exploração das salas, os quais não foram suspensos ou comparticipados por outros programas.” Como Gonçalo Riscado, director da CTL e Musicbox, nota, “estamos perante um circuito que é um dos pilares de todo o ecossistema da indústria da música. Se um pilar cai, todo o ecossistema desmorona”, lê-se no site da associação, onde também se encontram explícitos os pedidos em que a associação converge.

Ao contrário do que o senso comum podem indicar, e o nome do evento sugerir, a associação não reinvindica a reabertura imediata dos espaços por não considerar ser seu papel contestar decisões ténicas de autoridades de saúde. Os pontos de reivindicação da associação dividem-se em dois grandes grupos, o apoio à sobrevivência onde são solicitadas medidas como a “criação de um programa imediato de investimento nas salas do Circuito, válido até ser autorizada a retoma sustentável da atividade e que garanta a compensação do prejuízo mensal provocado pelos custos fixos de exploração das salas, os quais não foram suspensos ou comparticipados por outros programas” e a “disponibilização de programas de apoio à criação, programação e circulação artística, envolvendo a rede do Circuito, com o objetivo de reativar a atividade do ecossistema da música ao vivo nacional, impulsionando a recuperação do Circuito”; e um apoio estrutural ao sector da cultura com foque nas actividades noturnas onde se pede “reforço substancial do orçamento para a cultura e implementação de estratégias de desenvolvimento do setor cultural nacional” e o “desenvolvimento de estratégias locais de valorização da economia noturna que reconheçam a importância social, cultural e económica deste setor”.

No mesmo site podem encontrar-se ainda um quadro com políticas de incentivo à cultura levadas a cabo noutros países como Nova Zelândia, Dinamarca ou Reino Unido, num separador chamado radar, bem como uma série e estudos e relatórios que servem de referência ao projecto.

A campanha de anúncio da iniciativa foi idealizada por uma dupla de criativos da agência Partners, com direcção criativa de Ivo Purvis e Gil Correia e protagonizada por nomes de vários quadrantes da música nacional que decidiram dar a cara pela causa como Gisela João, Tomás Wallenstein, Marfox, Yen Sung ou Hélio Morais.

Os dados concretos sobre locais de manifestação podem ser encontrados no site da associação, aqui. A todos os intervenientes a associação pede o escrupuloso cumprimento das normas de segurança e saúde pública.

Investimos diariamente em artigos como este.
Precisamos do teu investimento para poder continuar.