Quibi: o serviço de streaming que durou 6 meses e gastou 1,7 mil milhoes de dólares

Dos 910 mil subscritores do plano gratuito de demonstração do Quibi, avança o The Verge, apenas cerca de 90 mil terão continuado com a sua conta activa, o que pode explicar em parte o falhanço quase instantâneo da proposta que conseguiu financiamento mas não conseguiu público.

Quibi
 
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Surgiu há cerca de 6 meses, numa altura já conturbada, a meio da pandemia, mas com uma proposta ousada que dava aos envolvidos a certeza de que o projecto iria resultar bem. Em tempos de atenção fragmentada e hiper-estímulo, o Quibi pretendia ser o primeiro serviço de streaming focado em conteúdo especialmente curto, levando à letra a ideia de que já ninguém tem tempo para ver uma série, um filme ou seja o que for, e pensado e editado para telemóvel. Cada conteúdo na plataforma era assim conciso e editado para poder ser visto em modo horizontal e vertical; a plataforma, essa, era exclusiva para telemóvel, porque também toda a gente sabe que já ninguém tem computadores ou outros aparelhos.

Lançada a 6 de Abril de 2020, em pleno pico pandémico, a aplicação tinha dois planos de subscrição, um de perto de 5$ (pouco mais de 4 euros), com anúncios e um de 8$ (pouco mais de 6€), sem anúncios, e contava, no arranque, com a colaboração de realizadores conceituados para facilitar a subida. Esta colaboração valeu ao projecto 2 Emmys na categoria Artes Criativas, mas nem por isso trouxe utilizadores para a plataforma que chegassem para pagar o investimento feito.

A marcar a curta vida da plataforma estão as rondas de financiamento que a trouxeram para o radar dos media. No total, o Quibi conseguiu um financiamento na ordem dos 1,7 mil milhões de dólares, tendo fechado as rondas de investimento com uns sonantes 700 milhões. O valor era expectável que aguentasse a empresa e a sua operação até que se atingisse o ponto de retorno e os lucros começassem a surgir mas, em vez disso, a app tem agora os dias contados.

Dos 910 mil subscritores do plano gratuito de demonstração da aplicação, avança o The Verge, apenas cerca de 90 mil terão continuado com a sua conta activa, o que pode explicar em parte o falhanço quase instantâneo da proposta que conseguiu financiamento mas não conseguiu público, apesar de a empresa negar que esses sejam os números oficiais.

O Quibi, que contava com nomes sonantes de Hollywood entre os promotores dos seus micro-conteúdos (cada episódio tinha no máximo 10 minutos), torna-se assim o exemplo de um falhanço paradigmático da sobrevalorização de certas ideias tecnológicas — uma ideia que conquistou milhares de milhões de bolsos de investidores mas que se revelou incapaz de conquistar os consumidores ao ponto da sua sustentabilidade. Os donos da empresa, Jeffrey Katzenberg e a CEO Meg Whitman, ainda ponderaram a venda com a consultoria da gigante financeira JP Morgan & Chase, mas nem as 10 nomeações para Emmy geraram interesse suficiente para que alguém se mostrasse interessado em comprar a companhia com mais de mil milhões de financiamento por retornar.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!