Porquê Stories no Twitter? Para a empresa fazer mais negócio

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Quem usa o Twitter terá já reparado que esta rede social passou a ter Stories. O formato curto e efémero que o Snapchat e Instagram popularizou chegou à plataforma dos 280 caracteres depois de Facebook, YouTube e até o LinkedIn o terem adoptado também. No Twitter, as Stories chamam-se Fleets e, no dia do lançamento da ferramenta (que tinha estado em teste durante alguns meses em certos países), foram vários os utilizadores que se interrogaram sobre o porquê da mesma.

Não é a primeira vez que um formato estreado por uma aplicação é copiado por outra. A indústria está constantemente atenta às práticas que melhor estão a manter os utilizadores presos às plataformas sociais e, ao mesmo tempo, a tentar criar interfaces que se assemelham àquelas que os internautas estão mais habituados – não é por acaso que quem entra na app do LinkedIn irá encontrar uma experiência de navegação não muito distante daquela que existe no Facebook ou que a aplicação do YouTube tem agora botões semelhantes nos mesmos sítios do Instagram.

No caso do Twitter, os Fleets funcionam de modo muito semelhante ao Instagram, por isso não precisarás de qualquer curva de aprendizagem. O aspecto é idêntico: círculos no topo do feed; podes criar Fleets só com texto e diferentes fundos coloridos, importar fotos ou vídeos da galeria, identificar utilizadores, e reagir ou responder aos Fleets das pessoas que segues, sendo que essas conversas acontecem nas Direct Messages – tal como com as stories. Os Fleets desaparecem ao final de 24 horas e, pelo menos por agora, não é possível guardá-los em destaques como acontece no Instagram. Os Fleets são idênticos às Stories até nos bugs.

Toda a experiência com o Fleets não deixa margem para dúvidas para quem vem de um Instagram ou mesmo de um Facebook. O Twitter poderá, assim, deixar de ser tão estranho para novos utilizadores. Mas há outro ponto para os Fleets: muitas pessoas têm receio de tweetar. Quem o escreve é o repórter Will Oremus na publicação OneZero, com base em declarações do próprio Twitter: “Tweetar, retweetar, interagir numa conversa pode ser honestamente muito aterrador”, especialmente para novos utilizadores, comentou Nikkia Reveillac, directora de pesquisa no Twitter, num encontro com jornalistas. “Não sabem se alguém vai responder, não sabem sequer se alguém se importa.”; e, tal como acontece no Instagram, os Fleets subtraem-se à componente mais pública da plataforma, daí que as reações sejam por mensagem directa e não em formato de tweet.

O Twitter tem cerca de 200 milhões de utilizadores activos diariamente, longe do número de pessoas – especialmente jovens – que diariamente está no Instagram ou TikTok. Nem mesmo com a pandemia, escreve o OneZero, o Twitter sofreu um impulso em uso. Os primeiros testes com o Fleets em vários países mostraram que para novos utilizadores esta ferramenta foi “uma forma mais fácil de começar” a utilizar o Twitter e que aqueles que a tinham interagiam mais. “Conseguimos ver como esta nova experiência permite que as pessoas partilhem o que estão a pensar com menos pressão”, comentou Joshua Harris, director de design do Twitter, no mesmo encontro com repórteres.

O Twitter, como as restantes tecnológicas, procuram tudo o que possa cativar e prender a atenção dos utilizadores. A plataforma não estará, simplesmente, preocupada em atenuar a pressão que novos membros possam sentir ou em criar um meio onde podem ser partilhados momentos e pensamentos mais crus, que não quereremos eternizar num tweet. Em vez disso, o Twitter procura, como todas as outras redes, aumentar a utilização diária da rede social e baixar o número de utilizadores que têm conta mas que não publicam nada – é o constante rodopio de tweets, retweets, comentários e discussões que mantém o Twitter interessante, fazendo as pessoas querer voltar e gastar mais tempo na aplicação. No final do dia, o Twitter quer captar por mais uns minutos a tua atenção para fazer crescer o seu negócio. Business as usual.

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