Um mapa de caloteiros é a última app bizarra a vir da China

Com este método, um tribunal chinês quer fazer com que qualquer cidadão possa denunciar outro que esteja endividado mas tenha aparentemente capacidade de liquidar as suas dividas.

Screenshot via Daily China

Se a China é todo o mundo novo difícil de compreender à distância, a internet a que neste país têm acesso é tanto ou mais complexo. Contra a habitual troca de informação entre fronteiras, erguem-se as firewalls impostas pelo regime chinês e a barreira da língua – pior ainda, do alfabeto. 

Já aqui abordámos o universo das aplicações criadas pelo partido comunista para manter os seus militantes em linha; há também o já conhecido sistema de crédito social e os igualmente conhecidos filtros de censura do WeChat (semelhantes aos que podem estar a ser pensados para a Europa). Agora a publicação chinesa Daily China dá conta de mais uma invenção tecnologia no mínimo intrigante. 

A proposta vem de um tribunal da província de Heibei, o Higher People’s Court of Hebei’s. Em consideração está a disponibilização aos cidadãos da província de uma aplicação que localiza os devedores nas suas proximidades. 

A aplicação, que funciona como complemento do WeChat – uma espécie de “WhatsApp/Facebook chinês” – integra um mapa que sinaliza num raio de 500 metros as pessoas que tenham dívidas registadas a outras, junto com pequena lista com informações pessoais. 

A ideia é (vejam se não vos lembra nada) fazer com que os cidadãos possam controlar-se uns aos outros, tendo em conta os seus bens visíveis. Com este método, o tribunal de Heibei quer fazer com que qualquer cidadão possa denunciar outro que esteja endividado mas tenha aparentemente capacidade de liquidar as suas dividas.

A premissa inerente ao projecto já tinha sido badalada em 2017, com o intuito de alimentar o sistema de crédito social implementado pelos chineses. Segundo a imprensa internacional, a plataforma será alimentada e gerida pelos órgãos informativos locais com base na informação fornecida pelo tribunal.

Da mesma província chinesa já no ano passado tinham surgido notícias intrigantes relacionadas com devedores. Nesse caso a cara dos devedores terá sido utilizada num vídeo “promocional” que foi exibido antes do filme.