Roden Crater, a localização mágica do vídeo de Kanye West

Localizada no cone de um antigo vulcânico no meio do deserto do Arizona, a Roden Crater é uma das mais conhecidas obras de larga escala do artista norte-americano James Turrell.

A Roden Crater (foto de James Turrell Studio/DR)

Goste-se ou não de Kanye West, aprecie-se ou não o seu último trabalho, Jesus Is King, uma coisa é preciso assumir: West juntou nomes pesados do mundo da música e levou-os até um dos sítios mais icónicos do Arizon, a Roden Crater. Mas o que tem de especial esse local?

Localizada no cone de um antigo vulcânico no meio do deserto do Arizona, a Roden Crater é uma das mais conhecidas obras de larga escala do artista norte-americano James Turrell. Em construção há mais de 45 anos e pensada para durar séculos a obra de enormíssima escala, é o resultado do trabalho de Turrell que ao longo da sua vida artística se tem dedicado a explorar a forma como contemplamos e percepcionamos a luz.

Fotos de James Turrell Studio/DR
Fotos de James Turrell Studio/DR

Tudo começou nos anos 1970 quando James Turrell terá passado uma noite na cratera do vulcão, observando as estrelas que na noite escura do deserto árido se revelaram especialmente cintilantes. A partir daí, o artista começou a conceptualizar a obra que actualmente se divide em seis espaços diferentes de contemplação dos movimentos celestiais. Em 1977 dera início à construção da obra que, para se ter dimensão da escala, implicou a deslocação de 1,3 milhões de metros cúbicos de areia para a construção de um dos maiores túneis. 

O objectivo da construção é, como se lê no próprio site, mais próximo do que observamos em monumentos incas do que aquilo a que estamos habituados a ver a sociedade actual edificar. O sistema de túneis e espaços de contemplação fora desenhado de forma a que durante o dia capture o máximo de luz solar e durante a noite enquadre estrelas e planetas permitindo uma experiência única de olhar sobre os céus.

Fotos de James Turrell Studio/DR

A obra esteve durante os anos de construção inacessível ao grande público mas já durante este ano surgiram notícias que dão conta dos preparativos para que isso possa mudar – graças a uma parceria entre a Skystone Foundation, entidade que gere a obra, a Arizona State University e o Museu de Arte do Condado de Los Angeles no valor de 2 milhões de dólares, e a uma doação do próprio Kanye West no valor de 10 milhões.

O investimento de West parece agora fechar o ciclo ao surgir como cenário para a curta metragem que acompanha o disco Jesus Is King — Kanye justificou a escolha não só pela beleza da obra mas como pelo facto de James Turrell também ser cristão, um detalhe que alimenta a narrativa do disco. Como começámos este artigo, o álbum pode ter algumas nuances de qualidade duvidosa, mas vale por pormenores como este de nos relembrar desta icónica obra de arte perdida há mais de 40 anos no deserto do Arizona.