E se o teu artista preferido tivesse inteligência artificial? Apresentamos-te o TravisBott

Travis Scott, rapper e produtor, tem agora ‘competição’ artificial graças à nova criação da agência Space150.

Em pleno 2020, pequenas aplicações de Inteligência Artificial para que os softwares sejam capazes de imitar criações humanas é um dos dados adquiridos em relação ao potencial desta tecnologia. Desde os assistentes pessoais capazes de nos responder, aos algoritmos que pintam quadros inspirados nos clássicos, desenham roupa ou re-escrevem o guião de alguns dos clássicos do cinema, aos avisos deixados por séries críticas como Black Mirror, as utilizações da IA neste contexto lúdico estão numa fase especialmente fértil, à mercê da imaginação dos criadores.

Testar os limites da capacidade da Inteligência Artificial em experiências comparativas com os humanos tem sido uma das vertentes mais exploradas e, desta vez é Travis Scott a ganhar um sósia digital. Travis Scott, rapper e produtor, tem agora ‘competição’ a artificial graças à nova criação da agência Space150.

Travis Bott é o nome da criação falsificada do rapper que combina o estilo, a personalidade e a estética da sonoridade de Travis Scott. Segundo Ned Lampert, diretor executivo de criação, o projeto foi desenvolvido por diversão. “Ficámos fascinados com algo como: ‘E se tentássemos fazer uma música – mas uma música realmente boa – usando a IA e basicamente direção criativa de IA?”

Assim, a agência produziu uma música chamada “Jack Park Canny Dope Man” com um videoclip ao estilo de Travis Scott. Para igualar as letras do rapper, usaram gerador de texto, como a mesma tecnologia, ao longo de duas semanas. Apesar de o autotune e a melodia serem convincentes, ao nível da lírica os resultados não surpreendem, uma vez que muitas das letras do bot acabaram por não fazer sentido.

“Pop some suits on any stay of freeze/I was your grave, pimp, and granny stand my space.”

“Yeah, I took to go, you say you really dude/Guess they don’t want the best of West food.”

Ned Lampert reparou que o bot desenvolveu uma obsessão por comida e isso traduziu-se também nas letras: “O bot não paráva de falar de comida… Havia uma frase, tipo ‘I don’t want to f–k your party food,’ e nós pensámos ‘o quê?’”

Apesar destes pormenores, o resultado acabou por ser satisfatório. Para Ned Lampert, este caso mostra que este tipo de tecnologia ainda não está pronta para lidar com um projeto deste calibre por conta própria, concluindo que estes bots são dependentes da mão humana para atingir o potencial como ferramenta criativa — algo que pode deixar descansados, neste caso, os fãs do rapper norte-americano.

“Há muito medo em torno da inteligência artificial, mas, assim como outros avanços tecnológicos, é apenas uma enorme plataforma criativa” – Ned Lampert

Para além do videoclip, esta ‘brincadeira tecnológica’ vem acompanhada de um vinil da música e uma app de realidade aumentada que sobrepõe correntes de ouro a flutuar sobre o vinil.

A primeira música ‘Eurovisão’ criada por inteligência artificial

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