Coronavírus/Covid-19: um resumo das boas práticas contra alarmismos

O Covid-19 é uma estirpe de Coronavírus que, até agora, nunca tinha sido identificada em seres humanos.

Imagem de um vírus da família Coronavirus (via Unsplash/CDC)

Desafio todos os nossos leitores a nos próximos dias comprarem qualquer jornal ou assistirem a qualquer canal televisivo, sem ouvirem falar do Coronavírus ou Covid-19. Parece que este vírus ainda não atingiu todo o nosso planeta, mas já conseguiu invadir todas os nossos media e redes sociais.

Mas afinal o que é este Covid-19 de que tanto se fala?

O Coronavírus é uma família de vírus já conhecida há vários anos como sendo capaz de causar doenças em humanos, seja com sintomas respiratórios, seja com sintomas gastrointestinais. Na maioria dos casos, esta família de vírus causa uma infecção semelhante à gripe comum e, em casos raros, pode provocar formas de doença mais graves como é o caso da Pneumonia.

O Covid-19 é uma estirpe de vírus pertencente a esta grande família que, até então, nunca tinha sido identificada em seres humanos. A primeira vez que tal aconteceu foi em Dezembro de 2019, na China, na já conhecida cidade de Wuhan. A fonte de infecção é ainda desconhecida, mas os principais sintomas presentes nas pessoas infectadas já são conhecidos: tosse, febre e dificuldade respiratória.

O vírus transmite-se por contacto próximo com pessoas infectadas, superfícies e objectos contaminados, através de gotículas libertadas pelo nariz ou boca quanto tossimos ou espirramos. As gotículas podem depositar-se nos objectos ou superfícies que rodeiam a pessoa infectada. Por sua vez, outras pessoas podem infectar-se ao tocar nestes objectos ou superfícies e depois tocar nos olhos, nariz ou boca.

Quais as diferenças com a Gripe Sazonal?

Numa das sessões oficias de esclarecimento mais recentes, o director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus explicou quais as principais diferenças entre este vírus e o da gripe sazonal. “Em primeiro lugar, o Covid-19 não se transmite de uma maneira tão eficiente quanto o vírus Influenza. Com o Influenza, as pessoas que estão infectadas mas não estão ainda doentes são fontes principais de transmissão, o que não parece ser o caso do Covid-19. A evidência da China sugere que apenas 1% dos casos reportados não têm sintomas e que a maioria desenvolve sintomas no espaço de dois dias.”

Em segundo lugar, “enquanto a maioria das pessoas a nível global desenvolveram imunidade para as estirpes de gripe sazonal, o Covid-19 é um novo vírus para o qual ninguém tem imunidade. Isto significa que há mais pessoas susceptíveis à infecção e algumas vão desenvolver doença grave. A nível global, cerca de 3,4% dos doentes com Covid-19 morreram. Em comparação, a gripe sazonal habitualmente mata menos de 1% das pessoas infectadas.”

Em terceiro lugar, o director-geral da OMS relembra que existem vacinas e medicamentos para a gripe sazonal, enquanto que para o Covid-19, tal ainda não é possível, apesar de estarem a ser feitos esforços nesse sentido.

Por último, enquanto não faz sentido falar numa contenção para a gripe sazonal porque a circulação do vírus é endémica, o mesmo não parece acontecer para o Covid-19. “Não fazemos rastreio de contactos para a gripe sazonal, mas os países devem fazê-lo para o Covid-19, porque isso vai prevenir infecções e salvar vidas. A contenção é possível”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Caso suspeito? O que fazer?

Actualmente, é considerado um caso suspeito de infecção por Covid-19 quando o indivíduo apresenta sintomas de tosse, febre ou dificuldade respiratória e, concomitantemente, esteve nalgum país onde existem casos infectados com o vírus, ou teve contato directo com uma pessoa infectada.

Em caso de dúvida ou suspeita, o indivíduo deve contactar a linha 24 (808 24 24 24) por forma a ser orientado nos próximos passos a tomar.

Viagens e Precauções

Quanto a viagens, o Ministério dos Negócios Estrangeiros afirma: “Neste quadro, desaconselha-se a realização de qualquer viagem à província chinesa de Hubei, a diversas regiões de Itália e de viagens não essenciais aos seguintes locais: República Popular da China; Irão; Coreia do Sul (às cidades de Daegu e Cheongdo e à província de Gyeongsang-buk).”

De uma maneira geral, e apesar de todo o alarmismo que infelizmente paira no nosso país, as únicas medidas que actualmente são recomendadas pela Direcção Geral da Saúde (DGS) são as seguintes:

  • Tapar o nariz e a boca quando espirra ou tosse (com lenço de papel ou com o cotovelo, nunca com as mãos; deitar sempre o lenço de papel para o lixo;
  • Lavar as mãos frequentemente. Deve lavá-las sempre que se assoar, espirrar, tossir ou após contacto directo com pessoas doentes;
  • Evitar contacto próximo com pessoas com infecções respiratórias.

Todas estas medidas são as medidas gerais que devem ser tomadas por qualquer pessoas seja para prevenir a infecção provocada pelo Coronavírus, seja para prevenir a chamada gripe sazonal. Não há por isso necessidade de alarmismos ou medidas especiais.

É ainda reforçado pela DGS que o uso de máscara, no contexto desta infecção, deve apenas ser feito por:

  • Pessoas com sintomas de infecção respiratória (tosse ou espirros);
  • Suspeitos de infecção por Covid-19;
  • Pessoas que prestam cuidados a suspeitos de infecção por Covid-19.

O alarmismo sem medida

No entanto, não é isto que se tem verificado nos últimos dias em Portugal, o que é absolutamente desadequado e pode até mesmo em certa medida comprometer os actuais protocolos de contigência e tratamento dos doentes já infectados.

A própria directora de saúde pública da OMS, Maria Neira, afirmou que é “irracional e desproporcionado” que se esgotem as máscaras e os desinfectantes nas farmácias por medo do Covid-19, referindo que esta situação se baseia apenas no “medo e na angústia das pessoas”, o que deve ser desde já evitado. Maria Neira informa ainda que “oitenta por cento das pessoas que estão em contacto com o vírus não desenvolvem qualquer sintomatologia. Cerca de 15% terá uma sintomatologia leve a moderada. Entre 4 a 5% requer assistência médica mais sofisticada”.

Tedros Adhanom Ghebreyesus também mostrou a sua preocupação com as actuais dificuldades de acesso a nível global de equipamento de protecção pessoal, devido à elevada procura, mas sobretudo devido a situações de açambarcamento e má utilização. Afirma que “as falhas estão a deixar médicos, enfermeiros e outros profissionais na linha da frente para cuidar de doentes com Covid-19 perigosamente mal equipados, devido ao limitado acesso a luvas, máscaras médicas, respiradores, batas, escudos faciais. (…) Não podemos travar o Covid-19 sem proteger os nossos profissionais de saúde”.

Quem ganha com a epidemia

Todos estes acontecimentos nos fazem pensar acerca de possíveis interesses por trás de todo este alarmismo. Na verdade, verificou-se que os preços das máscaras aumentaram seis vezes desde o início da epidemia. Vários laboratórios farmacêuticos e empresas de biotecnologia, que estão a desenvolver uma vacina específica contra o vírus, dispararam na bolsa. E para além disso, existem outras empresas que beneficiaram indirectamente desta epidemia, como as empresas de teleconferência, educação e entretenimento online, uma vez que alguns países, como o Japão e a Itália, fecharam escolas e empresas e pediram aos seus funcionários que trabalhassem a partir de casa.

Tudo isto nos deve deixar a pensar acerca de quais os limites da precaução e prevenção, reforçando acima de tudo o bom senso.

Para quem quiser saber um pouco mais acerca das medidas já tomadas até então no nosso país pode consultar o seguinte link, onde encontrará todas as normas da DGS e despachos emitidos até então.

Para acompanhar em directo quantos casos existem em todo o mundo de doentes infectados com Covid-19 pode consultar esta página da OMS.

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