Polícia portuguesa aceita, por fim, a colaboração de Rui Pinto

Rui Pinto, preso preventivamente há mais de um ano, foi libertado. Passará a estar em regime de prisão domiciliária e a colaborar com as autoridades portuguesas, um pedido antigo da sua defesa.

Foto via Shifter
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O denunciante do Football Leaks e Luanda Leaks, dois casos que trouxeram a descoberto uma série de tramas ilegais, um no mundo do futebol e outro com Isabel dos Santos como protagonista, vai começar a colaborar com as autoridades portuguesas. Rui Pinto sairá da prisão preventiva, pena que cumpria há mais de um ano (desde 22 de Março de 2019), e passará para um regime de prisão domiciliária, fruto de uma acordo entre os seus advogados de defesa e a Polícia Judiciária.

Noticiam, esta quarta-feira, o jornal Público e a TVI que a libertação de Rui Pinto não teve oposição do Ministério Público, que no ano passado o acusou de 147 crimes, número que baixou para 93 na entrada em 2020. O autor do Football Leaks e Luanda Leaks já abandonou as instalações do estabelecimento prisional anexo à PJ, em Lisboa, e “encontra-se agora sujeito à medida de obrigação de permanência na habitação, cumulada com a proibição de acesso à internet, sob responsabilidade da Polícia Judiciária”, segundo um comunicado da defesa, assinado pelos advogados William Bourdon, Francisco Teixeira da Mota e Luísa Teixeira da Mota.

Rui Pinto não vai regressar para a casa onde habita a família, em Vila Nova de Gaia, e ficará num espaço não revelado mas assegurado em permanência pela PJ, avançam o Público e a TVI. O whistleblower vai estar a trabalhar com as autoridades portuguesas na investigação dos crimes que através do Football Leaks e do Luanda Leaks começou a revelar. Para a concretização deste acordo de colaboração, terá sido decisivo o facto de nem a PJ nem nenhuma outra polícia ter conseguido desencriptar os 10 discos externos que foram apreendidos ao jovem português aquando da sua detenção na Hungria, em Janeiro de 2019.

Os discos deverão conter mais documentação sobre corrupção no futebol e teias de influências na política, no mundo dos negócios, da banca ou no sector da advocacia, que, por terem sido obtidos de forma ilícita, não poderão ser usados pela PJ como prova directa mas poderão abrir caminhos em processos já em curso e desencadear novas investigações. O acordo de colaboração entre Rui Pinto e as autoridades foi validado pela juíza de instrução Cláudia Pina num despacho de três páginas, refere a TVI. Além do aligeiramento imediato das medidas de coacção, o acordo prevê atenuantes na medida da pena no caso de Rui Pinto ser condenado no futuro pelos crimes dos quais é acusado.

Uma colaboração entre Rui Pinto e a polícia era uma luta antiga da defesa, que não entendia como é que as autoridades portuguesas só se preocupavam em prender e incriminar o denunciante em vez de aceitar a sua colaboração na investigação dos casos que este trouxe a público. De acordo com o despacho assinado por Cláudia Pina e citado pelo jornal Público, o perigo de fuga de Rui Pinto é suficientemente assegurado com a sua prisão domiciliária e com o actual controlo de fronteiras mais apertado; a juíza de instrução considera ainda que a postura de Rui Pinto mudou e que apresenta agora “um sentido crítico e disponibilidade para colaborar com a Justiça”.

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