Apple baniu Fortnite, Epic Games desafia Apple para verdadeira ‘Battle Royale’

Num processo com um total de 62 páginas, a Epic Games dá a remoção do Fortnite como um exemplo da estratégia da Apple para manter o seu monopólio "ilegalmente" mas o mais sonante sairía a seguir — um icónico vídeo sobre o processo que acabara de mover contra a Apple.

Epic Games
 
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Com a regulação a apertar sobre os players tecnológicos, muito concretamente por alegadas violações de princípios concorrenciais, o universo destas empresas tem sido especialmente atribulado. Ainda há pouco tempo escrevíamos aqui sobre contestação de a que Apple foi alvo por parte de alguns programadores reconhecidos no mercado, e agora foi a vez de o verniz estalar entre a gigante da maçã e a nova gigante dos videojogos, a Epic Games. Em causa está não só a chamada “apple tax” mas as regras apertadas da loja de aplicações da Apple, num despique muito particular.

Tudo começou quando os responsáveis da Epic Games começaram a incentivar os seus utilizadores a usar métodos de pagamento diretos que não passassem pelas ferramentas de processamento de Google e Apple, para que o dinheiro chegasse na totalidade ao produtor dos jogos sem a cobrança da taxa de intermediação que no caso da Apple são os tais 30%. Esse primeiro passo da Epic Games não terá deixado a empresa de Tim Cook nada contente, uma vez que segue na direção inversa do pretendido pelo CEO, mas a gigante dos videojogos não se ficou por aí.

Numa atitude que tem sido descrita como propositadamente provocatória, a Epic Games activou no Fortnite uma funcionalidade que ainda não tinha sido aprovada pelos sistemas de moderação da App Store. Esta atitude foi para a Apple a gota final que fez transbordar o copo — o que a empresa de Tim Cook provavelmente não previa era a preparação do seu opositor. Em resposta à provocação da Epic Games, a Apple decidiu suspender o Fortnite — o jogo mais popular da fabricante e app central a este processo — da sua loja de aplicações. “A Epic activou uma funcionalidade na sua aplicação que não foi revista nem aprovada pela Apple, e eles fizeram-no com a intenção expressa de violar as guidelines da App Store”, lia-se em comunicado.

Horas mais tarde percebeu-se que a resposta da Epic Games não se ficou por aí. Numa campanha claramente previamente preparada, a fabricante de jogos anunciou um processo contra a Apple por violação dos princípios da concorrência por obrigar os programadores a usar os seus sistemas de pagamento e lançou uma campanha, no mínimo, caricata para este tipo de evento.

Num processo com um total de 62 páginas, a Epic Games dá a remoção do Fortnite (poucas horas antes) como um exemplo da estratégia da Apple para manter o seu monopólio “ilegalmente” mas o mais sonante sairía a seguir.

A Epic Games lançou um icónico vídeo a dar conta do processo que acabara de mover sobre a Apple. No vídeo, que é uma clara referência ao mais clássico anúncio da Apple, conhecido como “1984”, a fabricante de jogos norte-americana vira o feitiço contra o feiticeiro. Se no original víamos a cara de um homem com um perfil autoritário, nesta recriação vemos uma maçã a ocupar o seu lugar uma forma de a Epic sugerir que a Apple ocupou o lugar do qual, então, tentava tirar a IBM. No lugar da mulher loira que surge para partir o ecrã, vemos agora uma personagem do conhecido Fortnite, equipada com um dos acessórios característicos do jogo, a fazer o mesmo, desta vez calando a maçã.

O vídeo termina com o anúncio do processo em tribunal e a frase “Junta-te à luta para impedir que 2020 se transforme em “1984””, uma alusão que obviamente também bebe da referência de George Orwell, a que se junta a hashtag #FreeFortnite.

Mais tarde foi a vez da Google seguir as pisadas da Apple e remover o Fortnite da sua loja de aplicações deixando-o contudo funcional nos equipamentos que o tinham instalado e acessível fora da loja de aplicação, algo impossível no caso do sistema operativo da Apple. Ainda assim, a Epic Games respondeu na mesma moeda que à Apple, anunciando um processo similar à Alphabet, responsável pelo Android.

Se o vídeo dá a esta disputa um ar mais juvenil, na realidade não o é. A Epic Games tem sido uma empresa em franco crescimento e a sua disposição para ir à luta contra as gigantes da tecnologia não é um mero acto de teimosia. A empresa norte-americana, avaliada em 17 mil milhões de dólares, é detida por Tim Sweeney e pela gigante chinesa Tencent pelo que este pode ser mais um processo em que pesos pesados chocam de frente, sem medo de investir algum capital nesta batalha. Nota ainda para a presença de Christine Varney entre a equipa de advogados da empresa. Varney foi responsável pelo departamento de “antitrust”, para onde esta queixa é endereçada, durante a administração de Barack Obama.

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