Hoje é Dia Mundial das Redes Sociais, uma das nossas constantes reflexões

Uma selecção de reflexões sobre redes sociais que publicámos no Shifter ao longo dos últimos anos.

Imagem de Morning Brew via Unsplash
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A internet “era uma comunidade sem fronteiras nem limites, uma voz e milhões, um território comum ocupado mas não explorado por várias tribos que viviam em amizade lado a lado, e cada um era livres de escolher o seu nome e a sua história e os seus costumes. Todos usavam máscaras, e no entanto a cultura de anonimidade-através-da-polinomia produzia mais verdade do que falsidade, porque era criativa e cooperativa em vez de comercial e criativa. Claro que havia conflito mas era mais do que compensado pela boa vontade e os bons sentimentos: o verdadeiro espírito dos pioneiros. (…) Ora bem, foi a web criativa que colapsou, e inúmeros sites individualizados, criativos e difíceis fecharam as portas. A promessa de conveniência levou as trocar os seus sites pessoais – que exigiam uma manutenção constante e trabalhosa – por uma página de Facebook e uma conta Gmail. Era fácil tomar a aparência de propriedade pela sua realidade”.

Estas palavras são de Edward Snowden e encontramo-las no seu livro de memórias, Vigilância Massiva, Registo Permanente. Trazemo-las para este texto porque hoje se celebra informalmente o Dia Mundial das Redes Sociais e porque, no Shifter, nos revemos nelas. Para muitos, as redes sociais tornaram-se uma parte substancial das suas vidas. Moldaram hábitos e passaram a ser, em algumas situações, a primeira consulta matinal; criaram profissões totalmente novas, como a de influencer que troca Stories por um fim-de-semana à pala num sítio invejável; mas também contribuíram para que a sociedade se dividisse ainda mais através da proliferação de desinformação e de grupos e comunidades fechadas que se tornaram câmaras de eco – onde quem está só ouve os seus semelhantes e fecha a porta a qualquer voz discordante.

Mas as redes sociais significam também uma internet centralizada em duas ou três empresas, que são as mesmas de sempre e que são acusadas de colocar os seus lucros à frente dos interesses públicos. As redes sociais significam, em parte o fim do anonimato online, ao essas empresas obrigarem à criação de perfis com uma foto e o nome real em vez de uma alcunha, e à verificação da conta com um número de telemóvel e em alguns casos com o documento oficial de identificação. As redes sociais jogam ainda com a dependência que muitos sentem dos telemóveis, com esta necessidade artificial de estar sempre ligado, a falar, a publicar, a responder, a debater.

Mais que isso, como diz Snowden, perdeu-se a internet criativa e a montra de sites pessoais e esquisitos que outrora existiam online. ”Compreender-me-á, então, quando digo que a internet dos nossos dias está irreconhecível”, escreve ainda, acrescentando: “(…) as empresas perceberam que as pessoas que entravam online estavam muito menos interessadas em gasta do que em partilhar, e que a conexão humana possibilitada pela internet podia ser monitorizada. Se o que a maior parte das pessoas online queria era poder dizer à família, aos amigos, a desconhecidos, o que estava a fazer, e em troca saber o que estavam a fazer a família, os amigos e os desconhecidos, a única coisa de que as empresas precisavam era arranjar maneira de situar-se no meio destes intercâmbios sociais e lucrar com isso.”

De seguida, deixamos uma selecção de reflexões sobre redes sociais que publicámos no Shifter ao longo dos últimos anos.

Porque pode ser boa ideia trocar as redes sociais por sites pessoais

“As redes sociais são uma confusão; têm tanto de útil como de fútil; não nos dão controlo sobre o conteúdo, mas antes a ilusão de que o temos.”

7 coisas que se aprendem num mês de abstenção das redes sociais

“Com o tempo, fui usando mais e mais o smartphone e as redes sociais. Agora tenho pensado em como racionar a sua utilização. Não sou o único.”

Porque não trocar estas redes sociais por algo construtivo?

“O problema (se é que permitem chamar-lhe problema) das redes sociais não é a sua existência mas as dinâmicas de valorização que as hierarquizam sem estabelecer uma relação entre construtividade e valor.”

Porque devias deixar de ler notícias nas redes sociais

“Com tanto conteúdo bom a circular na internet, é a ele que devemos dar atenção. É uma pena que se desperdice a mais valia da internet enquanto veículo de comunicação democratizado e que se caia no populismo e nas bolhas que as redes sociais propiciam.”

Jonas Staal e Jan Fermon: “O Facebook cria uma nova forma de alienação”

“Em entrevista ao Shifter, explicam o que querem dizer e como todas as ideias se articularam até ao resultado final, o Collectivize Facebook”

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